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“Museu de História Natural quer ser referência no Nordeste”

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O paleontólogo Jorge Luiz Lopes da Silva, diretor do Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), destaca o espaço de estudos e pesquisas que é aberto ao público em geral com programação de exposições permanentes sobre a biodiversidade e a geodiversidade do território alagoano. O especialista relata as atividades atualmente desenvolvidas e os projetos em execução. Destaca também as ações planejadas para o espaço, que abriga coleções da fauna, flora e recursos minerais de Alagoas, entre outros aspectos que reforçam a história e a cultura do Estado. Localizado na antiga Praça da Faculdade, no bairro do Prado, no imponente prédio centenário que já abrigou a antiga Faculdade de Medicina, o local deve passar em breve por nova reforma, mas já se encontra preparado para receber gente interessada em conhecimento e diversão. Gazeta. Em qual a situação o museu se encontra atualmente? Jorge Luiz Lopes. O museu está em melhores condições do que esteve nesses 27 anos da sua fundação. O espaço é muito mais amplo, as coleções científicas puderam crescer, os laboratórios foram ampliados. A situação do museu é hoje muito confortável. Podemos dizer que estamos realmente em um ótimo lugar, se comparado com o ano de 2015, quando estávamos abrigados em outro prédio. O que precisa ser feito para avançar? O Museu de História Natural da Ufal tem uma história relativamente longa. Começou em um espaço que não foi gerado para ser um museu, com as suas características, num antigo prédio da Faculdade de Odontologia, e enfrentava dificuldades pelo fato do espaço não ter sido projetado para isso. Além do quê, aquele espaço era dividido para mais três equipamentos da universidade. Como o museu tende a crescer, as coleções científicas foram aumentando a medida que o tempo passava, novos pesquisadores foram sendo incorporados ao corpo técnico e aí o espaço começou a ficar extremamente limitado. O prédio tinha grandes problemas estruturais, principalmente no telhado e nós tivemos perdas significativas por conta dessa situação. Mas o museu sempre teve a finalidade de realizar pesquisa e de extensão, voltadas para o público visitante. Essa finalidade o museu nunca deixou de cumprir. O problema é que a situação estava ficando cada vez mais difícil em mantê-lo exatamente com esse viés. Nos últimos cinco anos que o museu esteve no Farol, nós ficamos com a sala de atendimento ao público fechada. Então a gente viu que não tinha mais condições de permanecer ali. Foi quando veio a oportunidade para descer para esse espaço, que é a antiga Faculdade de Medicina e do curso de Biologia da Ufal. Em 2010, o local ficou vazio e o museu começou a negociar a vinda para cá. Em 2015, a universidade passou um ano fazendo uma reforma prévia do espaço. Em janeiro de 2016 nós iniciamos as atividades neste novo local e em maio abrimos o espaço ao público, que a gente vem mantendo até hoje e que espero não acabe nunca mais. Qual a importância do museu tanto para a cidade como para a comunidade acadêmica? Para a comunidade acadêmica é inquestionável, pelo fato de que os alunos da universidade se utilizam deste espaço para fazerem seus estágios e é um campo de aprendizado a mais para qualquer aluno da Ufal. Nós temos estagiário da área da Comunicação, por exemplo, que é nosso relações públicas, que leva nossas informações para os meios de comunicação. Nós queremos ter, mas ainda não apareceu um aluno do curso de Arquitetura para fazer um estágio aqui no museu, porque nós temos algo a apresentar ao público. Do ponto de vista do arquiteto, buscarmos a melhor forma para isso. E é óbvio, sem dúvidas nenhuma, que é o espaço típico para o aluno de Biologia e de Geografia, porque o museu tem essa finalidade, que é mostrar a biodiversidade e a geodiversidade de Alagoas. Então, para o estudante, o museu é um amplo laboratório para o aprendizado e pesquisa. Aqui nós recebemos também alunos de pós-graduação, mestrado, doutorado, porque o museu tem um acervo que também tem essa finalidade e serve para todos os níveis. É um equipamento cultural que serve para toda a sociedade. Uma sociedade que não preserva, que não guarda, que não lida com a sua memória e a sua cultura é uma sociedade que se torna leiga, manipulável. Portanto, um dos objetivos do museu é mostrar para o povo alagoano e para quem nos visita o grande potencial natural que o estado possui e o quanto é importante conhecer para poder preservar. E é mais uma área de lazer para o público. Como funciona? O museu funciona de segunda a sexta-feira, das 9h da manhã às 5h da tarde, e uma vez por mês, no primeiro final de semana de cada mês, aberto tanto sábado quanto domingo, dentro do projeto que chamamos de ?Fim de semana no Museu?. Temos alguns projetos diferenciados como o Halloween do Museu de História Natural da Ufal, com o objetivo de atrair um público que inclui as famílias e as crianças para um momento importante, para falar sobre o tema, mas não necessariamente desse Halloween que acontece no Hemisfério Norte com a tradição de lá, mas sim com histórias do saci, da cuca, do boi tatá, do curupira, do caipora, das figuras folclóricas da nossa história. A gente faz esse viés. E nós abrimos até a meia-noite mesmo, para fazer essa comemoração como estratégia para atrair o público. Além do horário normal, temos alguns momentos durante o ano, que realizamos eventos, para fazer com que o público venha nos visitar. Quais são as áreas de atuação? O museu atua com a Paleontologia, com a Geologia, que é o que nós chamamos de geociências ou geodiversidade, Ecologia e atua com toda a biodiversidade, além de uma área específica para organizar tudo isso que é a Museologia. Temos ainda a Arqueologia. Aqui nós temos laboratórios que trabalham com mamíferos, aves, moluscos, plantas, anfíbios e répteis, com insetos, aranhas e peixes. O museu tem uma série de setores, cada um responsável por uma área da pesquisa. Pretendemos ampliar. Então é uma variedade muito grande de áreas e campos de pesquisas, que proporcionam espaço para o pesquisador, para o estudante, como também é uma responsabilidade nossa fazer a proteção desse patrimônio, para que dure à posteridade e a população tenha a oportunidade de conhecê-lo. Essas são as segmentações que compõem atualmente o Museu da História Natural. O local não tende a ficar estático. À medida que novos pesquisadores forem chegando com propostas de trabalho que sejam importantes, isso pode ser agregado e passamos a ter uma nova área de pesquisa.

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