Política
Renan Filho minimiza problemas na Saúde
Depois de uma matéria veiculada na TV Globo mostrando o gasto de R$ 180 mil em mobília para a sede da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e o desabastecimento do maior hospital de Alagoas, o Hospital Geral do Estado (HGE), o governador Renan Filho (PMDB) afirmou, ontem, não ver problema nas cifras relatadas. Segundo ele, o tratamento dado pela imprensa estaria ?enviesando o pensamento do cidadão?. ?As compras da área meio em Saúde são infinitamente inferiores às compras da área fim. Esses R$ 29 mil da persiana não representam 0,1% da despesa em Saúde. A maior despesa é salário de médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, manutenção de equipamentos, remédios, correlatos. Essa forma da imprensa ver as coisas enviesa o pensamento do cidadão?, disse. Os R$ 29 mil em questão foram usados na compra de uma cortina. A situação foi mostrada em reportagem exibida no Fantástico, que repercutiu a investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) em torno de fraudes em licitações da Sesau. Ao todo, teriam sido gastos, de acordo com o Portal da Transparência, R$ 180 mil em mobília, sendo parte destinada ao gabinete do atual secretário, Christian Teixeira. Ele rebateu os questionamentos levantados pela matéria da TV e afirmou que os investimentos são necessários. ?Na sala onde você trabalha também tem uma cortina e você nunca perguntou quanto custa. Você deveria perguntar ao seu chefe, que ele vai te falar. As organizações em Alagoas têm excelentes prédios para a imprensa trabalhar. A Secretaria de Saúde tem que ser em péssima condição?? Ele defendeu ainda que o órgão precisa de uma boa estrutura para funcionamento. ?A Secretaria tem, inclusive, uma estrutura muito pior do que deveria ter devido à sua importância. Sou daqueles que acha que deveríamos ter uma Secretaria de Saúde decente, com condições de trabalho para os profissionais e que remunerasse bem as pessoas, porque o trabalho feito ali reflete no cidadão na rua?. Segundo o governador, as compras mostradas não contribuiriam para o desabastecimento do HGE. ?Isso é correr atrás do rabo e não é a verdade. Por um lado, [a matéria] diz que falta remédio e por outro quer fazer a comparação como se faltasse remédio porque comprou a cortina e isso não é verdade. Não falta dinheiro na Saúde para aquisição de remédio e o HGE bate recorde de atendimento; isso que precisa ser dito?. Ele apontou que está acompanhando o abastecimento do hospital e também apoia a operação da PF. ?Achamos que a investigação tem que ser profunda e criteriosa para separar o joio do trigo. Mas no HGE não tem desabastecimento que impeça o atendimento. É importante falar que o HGE bate recordes de atendimento?, ressaltou, acrescentando que 15 mil pessoas foram atendidas nos primeiros seis meses de 2017. Renan reafirmou ainda que quem procura a unidade hospitalar tem sido atendido. ?Se ele atende mais gente não há desabastecimento generalizado. Claro que num equipamento da magnitude do HGE, que é o que mais atende em Alagoas, com mais de 400 leitos, pode de vez em quando faltar uma coisa, mas isso não impede o atendimento. As pessoas são atendidas?.