Política
Governo Temer completa 1 ano de poucos avanços
O presidente Michel Temer completa oficialmente esta semana 1 ano à frente do governo com uma rejeição cada vez mais galopante, hoje em 94%. Somados os meses em que esteve na Presidência da República de forma interina, entre maio e agosto do ano passado, após o afastamento de Dilma Rousseff, lá se vão 15 meses de uma das gestões mais turbulentas do Executivo federal desde a retomada da democracia no Brasil, em 1989. Privatizações em série, PDV para demitir funcionários públicos e enxugar a máquina, reformas trabalhista e previdenciária, exploração de minério em plena Amazônia, índice de desemprego na casa dos dois dígitos (hoje em 13%) e escândalos de corrupção envolvendo o primeiro escalão do governo. A lista de reveses voluntários e involuntários de Temer é extensa, mas há méritos que merecem ser pontuados: a tímida retomada da economia e a contenção dos ânimos quanto à elevação do dólar, que um ano atrás especulava-se chegar a R$ 6 em 2017, são alguns desses cenários. O governo Temer também é visto com bons olhos por quem defende uma linha mais reformista, ao defender a tese de que a legislação trabalhista do Brasil é antiquada, retrógrada e não estimula o crescimento. A questão previdenciária também entra nesse pacote. Para o economista Cícero Péricles, Michel Temer tem um modelo próprio, uma lógica que segue desde a posse ainda provisória em maio do ano passado. ?Esse modelo possui uma agenda de medidas absolutamente contrárias às políticas reformistas de conteúdo social dos governos Lula e Dilma. Primeiro se aprovou o limite dos gastos públicos, estabelecendo um teto para as despesas com as políticas sociais ou mesmo de investimentos, mas sem limites para os pagamentos dos juros e serviços da dívida, medida que favorece ao mercado financeiro. Uma decisão que justifica os cortes no orçamento de todas as áreas sociais e seus programas desenvolvidos nas duas últimas décadas?, avalia. ?No segundo momento realizou uma reforma trabalhista baseada em eliminação de direitos cujo único objetivo é baratear a mão de obra. Uma reforma tão regressiva que já está dando seus resultados mesmo antes de entrar em vigor, em novembro, com a precarização nas contratações no mercado de trabalho. Terceiro, está encaminhando uma reforma na previdência retrógrada baseada em redução de conquistas, dificultando o acesso a aposentadorias e outros benefícios por parte dos trabalhadores mais pobres?, completa.