Política
Ditadura deixou saldo de seis mortes em AL
A Comissão Estadual da Memória e Verdade Jayme Miranda concluiu os trabalhos e entregou um relatório, ontem, após quatro anos de investigação. Os trabalhos apontaram que seis alagoanos morreram vítimas de ações do regime militar no Brasil. As mortes ocorreram nas cidades do Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. As diligências projetam também que três alagoanos seguem desaparecidos, visto que até agora os corpos não foram localizados. O número de vítimas pode aumentar, já que a investigação em Alagoas enfrentou dificuldades por falta de apoio das instituições públicas estaduais. De acordo com o secretário da Comissão, advogado Everaldo Patriota, o relatório que foi protocolado no Gabinete Civil do governo do Estado, ontem, traz um cenário parcial do que realmente aconteceu com alguns dos alagoanos que desapareceram durante o período militar. Patriota destacou que, apesar de todo o empenho dado pelos voluntários integrantes da comissão local, faltou apoio para tocar as investigações necessárias. O resultado será enviado para universidades, centros de pesquisas, bibliotecas e diversas instituições do Brasil e do mundo. ?Esperamos que instituições como universidades deem prosseguimento aos trabalhos?, ressaltou. Devido à falta de apoio, as investigações não puderam avançar com relação às ações dos militares contra o movimento estudantil e social alagoano. A Comissão concluiu que os alagoanos Odijas Carvalho de Souza, José Dalmo Guimarães Lins, José Gomes Teixeira, Gastone Beltrão, Manoel Lisboa de Moura e Manoel Fiel Filho foram assassinados por integrantes do regime militar. O material também apontou que Jayme Amorim de Miranda, Túlio Roberto Cardoso e Luiz Almeida Araújo seguem desaparecidos até hoje, sem a localização dos respectivos corpos. O engenheiro Thomás Beltrão, irmão de Gastone Beltrão, era uma criança quando a militante do movimento estudantil decidiu ingressar nas fileiras da Aliança Libertadora Nacional (ALN), um grupo que chegou a se armar contra o regime militar. Sem que a família soubesse, ela disse que iria concluir os estudos na Itália, mas acabou viajando com o marido para Cuba, onde, segundo ele, treinaram táticas de guerrilha. Em 1971, recorda, ela retornou ao Brasil clandestinamente e acabou morta em emboscada no Largo do Cambuci, na cidade de São Paulo, pelo então delegado do regime, Sérgio Paranhos Fleury. O próprio algoz da militante acabou expulso pelos militares e na sequência assassinado por ?saber demais?.