Política
EXÉRCITO FEZ AVALIAÇÕES SUBJETIVAS
A universidade sempre foi campo para o debate de ideias e a formação de opinião, ocupando lugar estratégico nos projetos da ditadura. O interesse dos militares se explica por estarem na universidade professores e estudantes que não apenas se opunham ao golpe de 1964, como ousaram enfrentá-lo. Provavelmente por isso, em 1971, dez anos depois de sua fundação, a Universidade Federal de Alagoas, a maior instituição de ensino superior do Estado, tenha sido alvo da interferência do regime militar. Afinal, ali estava, como até hoje, a base da formação intelectual, política e econômica da sociedade. Uma das provas dessa interferência é o Memorando nº 1341, do Serviço Nacional de Informações, o temido SNI, datado de 7 de julho de 1971. O documento tratou da ?indicação de candidatos à reitoria da Ufal?, conforme relatório produzido pelo então comandante do 20º Batalhão de Caçadores, que é hoje 59º Batalhão de Infantaria Motorizada, o tenente-coronel do Exército, José Barros Paes. É dele o relatório que prova a interferência dos militares, definindo um candidato na lista sêxtupla enviada ao presidente da República (1969/1974), Emílio Garrastazu Médico, a quem cabia a escolha e nomeação daquele que substituiria Aristóteles Calazans Simões. Esse é um dos tantos fatos que, até que o País voltasse à normalidade institucional, com a Constituição de 1988, marcaram os 21 anos da ditadura militar em Alagoas. Instado pelo SNI a produzir relatórios sobre os nomes escolhidos pelos conselhos da Ufal, o comandante do então 20º BC, José Barros Paes, fez uma análise inteiramente subjetiva de cada um dos selecionados. Foram eles os professores Nabuco Lopes Tavares da Costa Santos, Carlos Ramiro Bastos, Milton Ferreira Gonçalves, Alfredo Gaspar de Mendonça, Luiz Medeiros Neto e Teófanes Augusto de Barros. Para o comandante, a escolha do novo reitor ?apresenta-se como fator preponderante para o próprio desenvolvimento do Estado?. Com essa compreensão, Barros Paes produziu o relatório no qual informou ao SNI os fatos da vida de cada um dos indicados. De Carlos Ramiro Bastos, professor titular da Escola de Direito, o coronel Barros Paes apontou como ponto negativo ?faltar-lhe a prática de educador, por estar há muito tempo afastado das funções?.