Política
DITADURA PRODUZIU FALSOS HERÓIS
Hoje a Ufal tem 56 anos de serviços prestados ao desenvolvimento econômico, social e cultural de Alagoas, tendo vencido a faceta destrutiva que o regime autoritário tentou lhe impor. Passados 45 anos desse relatório, com o País vivendo um regime democrático e de liberdades plenas, é preciso indagar se, naquele momento, seria possível impedir o condenável ataque à autonomia universitária. ?Nas circunstâncias da época, não?, responde o presidente da Comissão da Verdade, procurador Delson Lyra. Ele relembra que, naquele período, o acesso a qualquer cargo ou função pública ou de ?interesse para a segurança nacional?, mesmo nos casos de aprovados em concurso público, passava pelo controle ?dos órgãos de informação e segurança?. Para Delson Lyra, o documento demonstra claramente quais os propósitos do regime militar. ?O propósito era controlar as instituições de ensino e pesquisa; manietar a produção do conhecimento desde (e a partir) de sua cúpula, passando pelo patrulhamento de professores e pesquisadores, e dos acadêmicos também. Fizeram uso dos instrumentos golpistas, particularmente do decreto 477 para esse fim; mataram, torturaram, baniram ?cérebros?, perseguiram?, declara ele. Na última segunda-feira, 28 de agosto, a Lei da Anistia completou 38 anos de promulgada. Depois de muita violência, tortura e repressão política, o general João Baptista Figueiredo, que governou de 1979 a 1985, promulgou a lei nº 6.683, no dia 28 de agosto de 1979. É com base nessa memória que o procurador Delson Lyra faz uma análise crítica sobre o período ditatorial e esse episódio na Universidade Federal de Alagoas.