Política
KUBITSCHEK TENTOU EVITAR CONFLITO
O episódio, de grande impacto negativo para a política brasileira, de acordo com o historiador Douglas Apratto no livro A tragédia do populismo: o impeachment de Muniz Falcão, era uma tragédia anunciada, com dia e hora para acontecer. O presidente da República Juscelino Kubitschek, preocupado com a situação, já havia se reunido com ministros para procurar uma solução a crise política no Estado. Há dias, ?governo e oposição se acusavam mutuamente de recrutamento de capangas e a capital alagoana se transformava numa praça de guerra?. Na véspera, Muniz Falcão chegou a pedir que os deputados favoráveis ao governo não comparecessem à sessão, mas não obteve sucesso. Nem o pedido do então arcebispo de Maceió, D. Adelmo Machado, para que os políticos comparecessem à votação desarmados foi atendido. Quando os dois grupos chegaram ao prédio, ambos destinados a se enfrentar em nome dos interesses político-partidários, não demorou muito para que o primeiro disparo fosse ouvido. ?Durante quarenta minutos, o tiroteio entre as duas bancadas foi intenso. [...] Mais de mil tiros foram disparados, inclusive alguns de fora para dentro. Os gritos de ajuda não paravam. Houve até quem se jogasse do andar superior da marquise?, detalha Apratto.