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Frei Betto: “Fome Zero n�o � programa eleitoral

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MARCOS RODRIGUES O coordenador nacional do programa Fome Zero, Frei Betto, disse, ontem, em Maceió, que o programa não deve ser controlado por políticos e que não tem caráter assistencialista. Sua fala foi uma resposta direta às informações de que políticos alagoanos poderiam utilizar o programa para se beneficiar. O recado foi dado durante encontro com representantes de cinqüenta entidades da Sociedade Civil Organizada, no auditório do Sindicato dos Urbanitários. ?O programa não é assistencialista, mas sim de inclusão social, e mais importante do que distribuir alimentos é gerar renda. Por isso, precisamos da participação da sociedade de forma efetiva. Só a mobilização pode evitar a manipulação?, explicou Betto. Indagado sobre a presença ou a influência de políticos nas coordenações do programa, no Estado e município, ele preferiu reforçar que quem dará o tom serão os integrantes dos Conselhos Representativos da sociedade civil. ?São estes conselhos que terão autonomia para mobilizar as pessoas, fiscalizar a aplicação dos recursos e escolherem os seus respectivos coordenadores?, explicou. Durante a reunião com as entidades sindicais e associações de bairro, o Frei se dedicou a esclarecimentos e tirar dúvidas. Para ele, era fundamental detalhar o objetivo global do programa. Encontro Antes da reunião com as entidades, Frei Betto manteve encontros com a prefeita Kátia Born e com o governador Ronaldo Lessa. Com os dois, o coordenador obteve detalhes da situação geral do Estado e do município. Para ele, ninguém que queira participar pode ser excluído. Na semana passada, o governo nomeou para a coordenação estadual do programa a secretária celular da Saúde e Bem-Estar Social Genilda Leão, do PSB. Já a prefeita aceitou a sugestão do deputado federal Givaldo Carimbão (PSB), que indicou a própria filha, Flávia Sá Gouveia. Ela é pedagoga e uma das responsáveis pela entidade filantrópica ?Lar coração de Jesus?, mantida pelo pai. O deputado desde o ano passado tem dito que pretende disputar a Prefeitura de Maceió. Antes, porém passará pela análise do partido que tem pelo menos outros três pré-candidatos. Por conta disso, o deputado vem sofrendo críticas na Câmara de Vereadores desde a semana passada. O primeiro a se manifestar contra a sua indicação foi o vereador do PL, Marilúzio de França Moura. Mas seu pronunciamento mobilizou outros vereadores, inclusive os petistas Judson Cabral e Thomaz Beltrão. A repercussão foi tão negativa que nem o vereador Marcos Vieira (PSB) do mesmo partido de Carimbão concordou. Para ele, a indicação gerará comentários maldosos para o programa, ?principalmente porque o deputado vem se apresentando como pré-canditado do partido?, acredita Vieira. Para dar mais credibilidade ao programa, ele defende uma união maior da bancada de seu partido com a do PT. Inclusão O governador Ronaldo Lessa aproveitou o encontro com o Frei para pedir a inclusão de mais municípios no programa. Pela lista oficial, o Estado terá 13 cidades atendidas com o vale-comida avaliado em R$ 5 . Lessa sugeriu que poderiam ser incluídos municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A exemplo de Traipu que tem a pior qualidade de vida do país. Uma das alternativas sugeridas por Ronaldo foi a criação do microcrédito para famílias de baixa renda. ?A meta é tirar as famílias da indigência?, declarou o governador. Frei Betto não garantiu ao governador atender a sua solicitação, mas destacou que esse esforço não é só do governo. Quem também participou do encontro foi a coordenadora estadual do programa, a secretária celular Genilda Leão. Ela estava acompanhada do secretário executivo de Planejamento, Ricardo Vieira.

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