Política
Relatório aponta irregularidades em dados das enchentes em Colônia
Após dois meses de trabalho, a Comissão das Enchentes do Ministério Público Estadual (MP) entregou ontem ao procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça o relatório conclusivo relacionado ao número de pessoas afetadas pelas chuvas em Alagoas. Dos nove procedimentos abertos, em apenas um, referente a Colônia Leopoldina, foram constatadas possíveis irregularidades que continuam sendo apuradas. O colegiado recomendou também que os gestores das 31 cidades atingidas pelas chuvas apresentem um planejamento para retirar os munícipes das áreas de risco dentro de um prazo de um ano. As investigações do MP tiveram início logo após as fortes chuvas que deixaram centenas de desabrigados no Estado, registradas no final do mês de maio. Foram mais de dois meses de trabalhos até a elaboração do relatório final. De acordo com o promotor responsável pela apuração, José Antônio Malta Marques, o objetivo da comissão foi evitar o uso irregular de recursos públicos nos municípios alagoanos, como se registrou em outras tragédias. Segundo as investigações, Colônia Leopoldina foi a única cidade dentre as nove a apresentar ?irregularidades dolosas?, já que contabilizou um número acrescido de desabrigados, inclusive, incluindo pessoas de outros municípios, a exemplo de casas que teriam sido afetadas e pertenceriam ao estado de Pernambuco, mas que foram inseridas no relatório final como se ficassem situadas em Alagoas. Nas demais cidades, houve apenas uma falha de demanda. ?Deixamos Colônia Leopoldina em processo investigativo com o promotor natural. Deixamos também uma recomendação para que o Ministério Público possa fiscalizar principalmente os problemas das áreas de encostas, das áreas que são anualmente atingidas por chuvas. Esta é uma questão que nos preocupa?, afirma Malta Marques. O relatório concluiu ainda pela necessidade de os gestores concretizarem projetos para retirada da população das áreas de risco. Conforme o procurador-geral, Alfredo Gaspar de Mendonça, os prefeitos têm um ano. Uma das cidades que mais preocupam nesse quesito é Maceió, que possui uma grande quantidade de áreas de encosta. Para o procurador-geral de Justiça, o Ministério Público não quer pressa nas ações, mas, sim, planejamento.