Política
ATIVISTAS REAGEM A DISCURSO DE VEREADOR
O Grupo Gay de Alagoas (GGAL) informou que vai encaminhar à presidência da Câmara Municipal de Maceió uma carta de repúdio às declarações do vereador Ronaldo Luz (PMDB), que, diante do plenário e de todos que acompanhavam a sessão da última terça-feira, não hesitou em afirmar que ?homossexualismo é uma doença, uma enfermidade, uma patologia?. Assinam o documento diversas representações do movimento LGBT no Estado, além de entidades de lutas sociais pelos direitos das mulheres, negros e por moradia, em uma mobilização que promete a realização de um protesto contra o discurso do vereador em frente à Casa de Mário Guimarães. ?Às vezes, é aceitável um discurso nesse nível por parte de uma pessoa que não tem acesso à informação, que vive na periferia, um morador do interior, alguém que teve pouca leitura. Agora uma liderança política, um médico falar isso? Precisamos escolher melhor nossos representantes, para que eles usem o plenário para discutir políticas públicas e não para tentar interferir na vida pessoal das pessoas nem promover a intolerância?, avalia o presidente do GGAL, Nildo Correia. Ronaldo Luz solicitou o aparte para falar que sentia falta da época em que os homossexuais ?se escondiam para não envergonhar a família?, muitas vezes se tornavam padres para não comprometer a honra dos senhores de engenho. O vereador criticou a programação televisiva, que mostra a ?homossexualidade como se fosse algo normal, o que não é verdade? e disse que essa era a visão de um profissional de saúde. A discussão levantada pelos vereadores, inicialmente, fazia referência à novela A Força do Querer, da Rede Globo, que aborda a temática. Ao se referir que o ?homossexualismo é uma doença que morre com a pessoa?, Luz usou um termo que caiu em desuso há 27 anos, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) assumiu que a condição não era uma doença. ?Desafio ele a provar, já que ele sugere que é uma fala científica, que homossexualidade é uma doença. Não existe nenhum dado que comprove isso. É uma tentativa de impor uma ideologia religiosa, baseada na intolerância. A gente vê que quem pensa assim não vive a própria sexualidade?, desabafa Nildo à reportagem da Gazeta.