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Campanhas eleitorais vão permanecer caras

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A restrição a doações por pessoas jurídicas nas eleições tem um reflexo praticamente nulo nas campanhas. É o que se constata, até agora, com base nas prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral entre os pleitos onde a doação de empresas era permitida e em outro já estava vetada. Segundos dados obtidos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos de Alagoas arrecadaram no pleito de 2012, quando ainda não havia a proibição para as empresas doarem, um total de R$ 70,5 milhões. Quatro anos depois, no pleito de 2016, já com a restrição em vigor, os candidatos alagoanos e seus comitês conseguiram levantar R$ 70,8 milhões. Uma diferença de apenas R$ 300 mil, o que nem de longe sinaliza que houve um reflexo significativo nas doações de campanha. Uma mudança gritante entre uma eleição e outra está no quantitativo de doações de pessoas físicas: entre 2012 e 2016, o aumento no número de ?doadores civis? em Alagoas chegou a quase 800%. O mesmo se repetiu pelo Brasil afora. No final da eleição do ano passado, o TSE fez soar o alarme de que algo não batia com a realidade: encontrou indício de irregularidade em 41,8% das doações a candidatos em todo o País, aproximadamente 403 mil das 965 mil realizadas. Por meio do cruzamento de dados com a ajuda de técnicos da Receita Federal, foram identificadas doações de pessoas que recebiam benefícios do Bolsa Família e doadores desempregados, em flagrante contramão ao que impõe a lei eleitoral, que limita as doações por pessoas físicas a 10% do rendimento do ano anterior. ?Proibir a doação de pessoas jurídicas afetou pouco o montante nas doações aos partidos ou candidatos. Minha hipótese é que a fonte só alterou de CNPJ para CPF de pessoas ligadas às mesmas empresas?, avalia a cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). ?Isso significa que as campanhas continuam caras para muitos candidatos e partidos grandes?, completa.

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