Política
Pol�cia Federal fecha cerco em Alagoas para evitar crimes das fac��es de Beira-Mar
ARNALDO FERREIRA - Com a chegada do narcotraficante Fernando Beira-Mar, Alagoas tem motivos para ficar preocupado? - Preocupado todo mundo está. Este traficante não é presente que ninguém queira receber. Mas, as autoridades federais e estaduais dotaram o Estado de mais segurança para que a gente pudesse abrigar o preso. - Pessoalmente, como o senhor entende esta movimentação? - No meu entendimento o preso tem a segurança da Polícia Federal e como estamos monitorando tudo, não acreditamos que possa acontecer nada. Penso até que neste período ocorra uma redução da criminalidade porque haverá uma segurança maior. E não há tempo neste pequeno período de nascer uma rede criminosa nova em Alagoas. - Há manifestações da sociedade, dos empresários, dos políticos para ser reduzido o tempo de permanência de Fernandinho Beira-Mar em Maceió, previsto em 40 dias. Há esta possibilidade? - Pode. Por exemplo. Existe uma combinação com o ministério da Justiça neste sentido. Se for furado o cerco do monitoramento é evidente que o preso poderá ser transferido para outro canto. Isto será para a garantia de vida dele como também do povo de Alagoas. - Os empresários demonstram confiar na sua palavra. Porém, o medo da maioria é de as facções ligadas à Beira-Mar instalarem aqui uma ramificação com o objetivo de intimidar o Estado. Se esta tese for verdadeira qual seria a estratégia? - As estradas, o aeroporto, as vias marítimas, tudo está bem vigiado. Todas as medidas, os procedimentos possíveis foram acionadas. Mas, não creio que a gente corra este risco. Possibilidades existem, agora: são remotas. - Qual deve ser o procedimento da sociedade e das autoridades num momento como este? - Acho que o assunto é sério, mas temos de tratá-lo com naturalidade, temos de criar coragem e tranqüilizar a população. Lula disse uma coisa muito importante: - todo mundo quer o ônibus perto de sua casa, mas se botar o ponto na porta da casa do passageiro ele reclama. Então, todo mundo quer combater a criminalidade. Mas, poucos querem dar a sua cota de sacrifício. - Efetivamente o que é que o senhor sabe sobre a segurança deste preso temido em todo o País? - As autoridades federais garantem que está tudo sob controle. Se houver qualquer problema serei o primeiro a ser comunicado. - O senhor goza de um bom prestígio político dentro e fora de Alagoas. Aqui, no Estado, até os seus antigos opositores agora são governistas, o senhor não teme que este episódio possa abalar a sua carreira política? - Olha, a vida é um risco. Todo momento, tudo pode acontecer. Fiz o possível para evitar esta transferência. Tentamos encontrar outro lugar para substituir esta hospedagem. Efetivamente, não foi possível. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva me convenceu de que esta era a hora de Alagoas dar uma contribuição importante ao País. Desta forma, o povo de Alagoas está dando a sua cota de solidariedade, sacrifício ao País. Quando tudo isso terminar, o Brasil ficará grato a este Estado pequeno e corajoso que enfrentou um problema grave como esse sem problema algum. - Quem apoia o senhor hoje? - A sociedade de um modo geral. Os empresários divulgam isso, os vários setores da sociedade têm dado o apoio fundamental para todos nós vencermos o crime. Quero destacar também o apoio maravilhoso da imprensa responsável do meu Estado. Aproveito para parabenizar todos os jornais do meu Estado sem exceção, todas as emissoras de rádio e televisão, a imprensa, pela forma responsável pelo tratamento sério dado à notícia. - O que o governo espera moralmente de tudo isso? - Vamos mostrar à sociedade que está ocorrendo a vitória da paz. A construção de uma sociedade mais justa é um processo de envolvimento de todos. O Estado é o principal gestor. Mas se o povo não se envolver a gente não ganha esta guerra. - Os três senadores continuam criticando a sua posição. Eles querem Fernandinho Beira-Mar longe de Alagoas? - Acho que os senadores vão repensar as suas posições. Quando o povo estiver mais calmo, os senadores vão entender que o melhor caminho foi este. Compreendo a ansiedade dos senadores, da classe política, de setores da sociedade e respeito a todos. - O que o governo espera da sociedade neste momento? - Que fiquem todos tranqüilos. Estamos dormindo menos para que a sociedade durma melhor. - Depois desta demonstração de apoio a Lula o que o senhor espera em troca? - Que faça pelo meu Estado o que agente merece: o reconhecimento, o respeito, o tratamento com dignidade e a retribuição correta. - No último contato que o senhor manteve com o ministério da Justiça, o que foi repassado? - Que estava tudo em ordem. Não há anormalidade na superintendência da Polícia Federal. - Existem compromissos do presidente com o governo de Alagoas? - O compromisso é que Alagoas será o primeiro Estado a receber apoio no novo Plano de Segurança Nacional. - Os membros do Conselho estadual de Segurança disseram que o senhor deveria ter, pelo menos, uma reunião fechada para discutir a transferência do narcotraficante Fernandinho Beira-Mar. Como o senhor vê a crítica dos conselheiros? - Se é esse o entendimento da maioria, lamento e reconheço que cometi um equívoco. Agora, achei ser mais prudente e correto cumprir a palavra com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça. Eles pediram sigilo e assim eu fiz.