Política
S� governador sabia da vinda de Beira-Mar
ARNALDO FERREIRA Mistérios, informações desencontradas e promessas de ajuda financeira, a fim de socorrer a estrutura de segurança pública de Alagoas, foram alguns dos ingredientes que marcaram os bastidores da transferência do narcotraficante internacional Luiz Fernando da Costa - o Fernandinho Beira-Mar. O governador Ronaldo Lessa (PSB) ocupa as emissoras de rádio e televisão, desde a chegada do traficante ao Estado, na última quinta-feira, e faz reuniões seguidas com setores da sociedade civil organizada, num trabalho sem trégua para tranqüilizar os alagoanos. ?Eu tentei evitar que este criminoso viesse para Alagoas, mas não teve jeito. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos fez um apelo e também colocou toda a estrutura da Polícia Federal ao nosso dispor?, justifica o governador Ronaldo Lessa. Mistério As negociações com o governo federal, sobre a transferência de Beira-Mar, começaram há uma semana e envolviam pelo menos cinco Estados. Um deles era Alagoas. Ronaldo Lessa foi chamado a Brasília. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, delegado da alta cúpula da direção nacional da Polícia Federal de Brasília, entre eles, o ex-superintendente de Alagoas Bergson Toledo, e o próprio presidente da República, convocaram o governador e, em um encontro confidencial, explicaram a Lessa que o Estado poderia receber, temporariamente, o narcotraficante. O governador fora alertado que a conversa era confidencial. Ronaldo Lessa, em princípio, imaginava que a transferência seria para o presídio Baldomero Cavalcanti. ?Mostramos ao ministro da Justiça que não havia condições de manter um preso como Beira-Mar no presídio estadual. Tentamos, mais uma vez, inviabilizar a vinda do traficante?. As autoridades explicaram ao governador que a transferência se daria para um prédio da superintendência, recém-construído e dotado de equipamentos de segurança. O último encontro confidencial de Ronaldo Lessa com as autoridades federais aconteceu, na terça-feira, em Brasília. Depois do encontro, o governador foi alertado para o sigilo dos entendimentos. Até a manhã de quinta-feira, o governador imaginava que o Estado estaria fora do novo endereço temporário de Beira-Mar.