Política
Justiça deve impor compromissos
Para o economista Cícero Péricles, especialista quando se trata da trajetória do setor sucroalcooleiro em Alagoas e no Brasil, a decretação de recuperação judicial por parte das sete usinas em Alagoas significa, pelo menos por enquanto, que estas devem seguir produzindo, à geração de receita, para que possam cumprir com os compromissos assumidos judicialmente. Embora, na prática, esta situação acaba, sim, por complicar toda a cadeia produtiva e principalmente o próprio setor. ?O problema de uma notícia como esta é o de lançar sobre todo o setor uma onda de desconfiança, que assusta o setor financeiro e a rede de fornecedores. Para complicar, existe ainda o fato de, muito recentemente, o setor ter perdido algumas grandes e modernas usinas e destilarias, fechadas há poucos anos, como a Triunfo, Sinimbu, Laginha, Guaxuma e a Roçadinho. Essa informação é negativa até mesmo para as empresas sem grandes problemas, que são bem administradas. Existe a probabilidade de uma indústria sair da recuperação judicial e retornar às suas atividades sem essa marca, mas uma notícia de recuperação judicial que contempla um conjunto de um terço das usinas do setor é muito forte e negativa, na medida em que desvaloriza os ativos dessas empresas, afasta possíveis créditos, como um que há meses se insistiu com um banco internacional; e diminui a margem de manobra, de todas elas, com fornecedores e compradores?, explica o economista. Para ele, o valor de R$ 3 bilhões, estimado como dívidas das usinas, está exagerado, assim como o discurso do desemprego em massa, por vezes apresentado pelo próprio setor como ?argumento antigo para pressionar o governo alagoano e mesmo organismos federais no sentido de mais créditos e, claro, menos impostos?.