Política
USINAS IMPÕEM CAOS SOCIAL A MUNICÍPIOS
Em mais de 500 anos, a monocultura da cana-de-açúcar em Alagoas nunca viu uma crise deste tamanho. O setor foi avisado com bastante antecedência de que o País não teria mais condição de bancar a agroindústria e mesmo assim, por incompetência gerencial, impossibilitou de profissionalizar as empresas. A gestão familiar nas indústrias foi inconsequente. ?Chegamos no fim do poço?, admitiu o presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), empresário João Edgar Filho, ao avaliar a situação da maioria das usinas que há cinco anos estão inadimplentes com os fornecedores. O fechamento de indústrias e o funcionamento de sete usinas com a decisão da Justiça estadual, que concedeu a recuperação judicial (medida para evitar falência e pedida pelos empresários quando não têm capacidade de pagar os credores), gera consequências dramáticas para a economia e a sociedade alagoana. A situação irrita credores, preocupa a economia e piora a crise social do Estado, que se esforça para criar frentes de trabalho. Dos quase 8 mil plantadores de cana que havia, dois mil saíram do ramo porque faliram por causa de débitos dos usineiros, dos efeitos da seca, dívidas com bancos e falta de perspectivas no setor. De acordo com informações recentes do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool, de técnicos das secretarias estaduais do Planejamento e Gestão Pública, da Fazenda e do Ministério do Trabalho, o fechamento ou a inadimplência de uma indústria açucareira causa caos social: milhares de desempregados no campo, reflexo negativo para fornecedores de combustível, de serviços, mecânicos, de autopeças, em toda a cadeia comercial das cidades. A situação se agrava exatamente no começo da moagem da safra de cana-de-açúcar 2017/2018. Até o final da década de 90, o início da moagem da cana representava o aquecimento na oferta de empregos e movimentava toda economia dos 102 municípios alagoanos. Era o sinal de fartura porque coincidia com o período da colheita das safras de grãos e do leite. Hoje, a situação mudou radicalmente. O clima nos 60 municípios produtores de cana é de desespero, revolta, desemprego e incerteza. Sem trabalho no campo, a violência prospera nas cidades. Pelas previsões do setor, das 27 usinas e destilarias que eram responsáveis pela segunda produção nacional de açúcar e álcool ? 350 milhões de litros de combustível alternativo ?, só 15 devem operar nesta safra. Das 32 toneladas de cana que eram esmagadas antes do agravamento da crise na agroindústria, neste momento, os cálculos mais otimistas dos usineiros e plantadores indicam que serão moídas, talvez, 13 toneladas de cana.