Política
Promotor e delegado assumem investigação
Batalha ? As investigações sobre o assassinato do vereador de Batalha, Adelmo Rodrigues de Melo (PSD), o Neguinho Boiadeiro, ganharam o reforço, ontem, do promotor Luiz Vasconcelos, que foi designado pelo procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. O inquérito policial passa a contar com o reforço também do delegado regional de Arapiraca, Gustavo Xavier, que está substituindo o delegado de Batalha, Rômulo Monteiro. ?Fui designado, a princípio, para acompanhar a fase inquisitorial. Mantive contato com os delegados que estão conduzindo a apuração e eles me passaram as providências adotadas. Também já me pronunciei em alguns pedidos e estou no aguardo, por parte das autoridades da Polícia Civil, sobre a análises de alguns elementos colhidos para, em seguida, definir os passos que daremos enquanto Ministério Público. A coisa não é simples, é preciso reunir elementos de convicção ainda?, declarou Luiz Vasconcelos, segundo informou o Ministério Público em material divulgado à imprensa. A substituição de delegados, de acordo com a Polícia Civil, foi decidida para não prejudicar o andamento de outras investigações conduzidas por Monteiro em Batalha. O gerente da Polícia Judiciária no Sertão, Cícero Lima, e o delegado Rosivaldo Vilar, prosseguem na comissão que investiga a execução do vereador e a tentativa de assassinato de José Emílio Dantas, ocorrida pouco depois do primeiro crime. Enquanto isso, em Batalha, o clima de medo continua. Ontem, quatro dias após o crime, o movimento na cidade ainda não voltou ao normal, de acordo com comerciantes. No sábado, dia da feira livre no município, quando moradores da zona rural e de comunidades vizinhas costumam ir à cidade para fazer compras, o movimento também foi menor que o de semanas anteriores. ?Apesar de ter muitas viaturas nas ruas, as pessoas ainda sentem medo. Na verdade é mais uma sensação, porque não existe nenhuma informação de que podem acontecer mais crimes, mas a maneira como tudo aconteceu faz com que todos fiquem mais cautelosos?, afirmou um trabalhador, que pediu para não ter o nome identificado. ?Não envolva meu nome nisso aí?, disse. ?Sou conhecido na cidade, pode ser que alguém me interprete mal?, justificou. Uma comerciante, que também falou com a reportagem na condição de anonimato, disse acreditar que a rotina da cidade deve ser retomada aos poucos. ?Foi um crime muito chocante para a nossa cidade, até porque o vereador era uma pessoa querida. Não dá para esperar que depois de algo assim, com uma repercussão tão grande e com um histórico como esse, as coisas continuem do mesmo jeito?, falou. Ela explicou que como a cidade é pequena e as pessoas se conhecem, a política no município pode ficar polarizada. ?A gente conhece algumas pessoas aqui como eleitoras de fulano ou de sicrano, mas a maioria, assim como eu, prefere ficar na sua, para não se indispor com ninguém. Acho certo que seja desse jeito. Tudo o que a gente quer agora é paz?, declarou.