Política
Instituições devem conter atrito entre clãs
Arapiraca ? A hostilidade entre as famílias Boiadeiro e Dantas, que já provocou sete mortes ao longo dos últimos 18 anos, parece não ter fim. Em Batalha, apesar de, aos poucos, a rotina da cidade estar voltando ao normal, a população teme que os crimes de pistolagem envolvendo membros do clã e pessoas próximas tenham seguimento. Desde o crime, alguns membros da família Dantas alteraram a rotina em nome da segurança; já entre os Boiadeiro, alguns componentes se mantiveram resguardados mesmo nos ritos fúnebres do vereador Adelmo Rodrigues de Melo, o Neguinho Boiadeiro. A cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), afirma que apesar de a rixa entre famílias remeter a uma época em que os conflitos eram resolvidos sem que a polícia, o Estado e o Judiciário fossem acionados, a única maneira de apaziguar os ânimos de maneira definitiva está justamente na forte e isenta ação dessas instituições. ?Essa rivalidade mantém características da política do final do século 19 e início do século 20, na época do coronelismo, quando a base era a enxada e o voto. A rivalidade precisa ser urgentemente resolvida, o que contribui para o desenvolvimento econômico e social da região. A gente sabe que Alagoas tem baixos índices sociais, e um dos fatores que contribui para isso é a forma como a sociedade lida com essas instituições?, declarou. Acompanhando o sucedido em Batalha por meio da imprensa, a cientista política afirma que a maneira como as investigações e julgamento do caso será conduzida poderá fazer com que as instituições passem a ter mais crédito junto à sociedade, ou então ocorrer justamente o contrário, dando a sensação de que o Estado e a Justiça beneficiam alguns em detrimento de outros. ?O esperado é que parem de personalizar as instituições, para que elas, de fato, possam agir de maneira impessoal, e aqueles que estão nos postos de comando tratem o processo de forma isenta e comprometida, adotando realmente os princípios da Justiça. Enquanto não houver uma maior crença nas instituições políticas, na impessoalidade dos julgamentos, haverá uma abertura para que novos episódios de violência aconteçam. Mas não podemos antecipar que isso vai acontecer, porque existem vários outros fatores envolvidos?, explicou. Mesmo assim, conforme Luciana Santana, não devem surgir novos conflitos políticos envolvendo clãs familiares, como acontece em Batalha. No entanto, caso exista uma sensação de impunidade ou de injustiça ao final do processo, também não irá influir nas rivalidades já existentes.