Política
Uso de academia no Rei Pelé vira caso de polícia
O que deveria ser entendimento sobre o controle e uso do Centro de Fisioterapia e Reabilitação (Cerife) da Universidade Estadual de Ciências da Saúde (Uncisal), e que mais recentemente passou a ser compartilhado com a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer da Juventude (Selaj), transformou-se em caso de polícia e mobilizou ontem até mesmo a entrada da Defensoria Pública de Alagoas no caso. O pivô de toda a história gira em torno do nome da titular da Selaj, Cláudia Petuba, presidente estadual do PCdoB. Todo o enredo teve início no último dia 17 de outubro, quando a secretária decidiu utilizar o centro como academia de ginástica e, na ocasião, segundo denúncia em rede social feita pelo professor da Uncisal, Geraldo Magella, ele foi impedido de entrar no local por decisão de Petuba. Conforme postou, o servidor ficou impossibilitado de prestar atendimento a pacientes com problemas como hérnia de disco e de coluna, ?pelo simples fato de uma secretária de Estado entender que pode fazer da coisa pública um espaço privado; isso é vergonhoso e desrespeitador para conosco que servimos esse Estado, assim como para a sociedade alagoana e a Uncisal?. Após este episódio, vazou nas redes sociais uma foto da secretária utilizando o Cerife de forma exclusiva. Sentido-se prejudicada em sua imagem, Petuba prestou queixa na Delegacia da Mulher, para que fosse identificado o responsável pelo ?vazamento? da imagem. Na ocasião, três servidores trabalhavam no local. Após a intimação chegar à direção do Centro, a coordenadora do espaço decidiu buscar apoio à Defensoria Pública. ?A Secretaria de Esporte e Lazer pediu uma autorização para que servidores utilizassem o espaço para malhar, e isso foi indeferido por fugir dos objetivos pelos quais ele foi criado. No dia 17, a secretária chegou ao Cerife para fazer uso de seus equipamentos, bloqueando o acesso de todo o pessoal. Ela malhou neste dia e ficamos sem utilizar o centro até a tarde do dia 19?, declarou à imprensa a coordenadora do Cerife, Janaína Cajueiro. Ainda de acordo com ela, o problema foi resolvido pela reitoria da Uncisal e o acesso dos fisioterapeutas ao local liberado. ?Porém, nesta semana, recebemos uma intimação para que três servidores nossos fossem prestar depoimento na Delegacia da Mulher, referente ao ocorrido no dia 17. Não sabemos o que consta no Boletim de Ocorrência e viemos tentar um suporte de advogados?, explicou a coordenadora, que esteve reunida na Defensoria com o defensor criminal Arthur Loureiro e o coordenador do Núcleo de Direitos Coletivos, Daniel Alcoforado, que devem acompanhar o caso. O defensor geral, Ricardo Melro, considerou no encontro não haver justa causa para a continuidade do inquérito aberto a pedido de Cláudia Petuba.