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Rede de ‘laranjas’ lava dinheiro de ex-prefeito

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A Polícia Federal (PF) voltou às ruas, ontem, para deflagrar a Operação Kali, que investiga o desvio de R$ 6 milhões em recursos federais e que deveriam ser usados pela Prefeitura de Marechal Deodoro para o transporte escolar e merendas de alunos da rede pública de ensino. A ação da PF é um desdobramento da Operação Astaroth, realizada em julho passado e que cumpriu mandados de busca e apreensão em Maceió, Santana do Ipanema, Marechal Deodoro e Pão de Açúcar. A Operação Kali coloca o ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus, como líder de uma organização criminosa, estruturada por uma rede de ?laranjas?. O bando seria responsável, conforme a investigação da PF, por ocultar empresas, bens e desviar os valores. Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Maceió, Marechal Deodoro e Pão de Açúcar, além de Nova Olinda, no Maranhão. Foram apreendidos seis veículos, com valores acima de R$ 60 mil cada, além de R$ 297 mil, US$ 5 mil e 14 mil euros. A quantia estava guardada em um cofre de um apartamento que pertence à dona de uma construtora, também alvo da ação. Além do período em que Matheus foi prefeito de Marechal Deodoro, a PF avalia que há indícios de lavagem de dinheiro ainda nos meses de junho e julho deste ano, quando ele não estava mais no cargo. Um desses indícios é a negociação de imóveis, no valor de R$ 530 mil, no nome do irmão dele. Junto com os mandados de prisão, a polícia solicitou também a prisão dos envolvidos. Representações, ratificadas pelo Ministério Público Federal (MPF), foram feitas à Justiça, mas os pedidos de prisão foram negados. O superintendente da PF em Alagoas, delegado Bernardo Gonçalves, comentou a negativa do Judiciário. ?Não cabe à polícia analisar decisão judicial. Temos que cumprir. A Justiça é independente para tomar a decisão que acha mais correta?. Segundo ele, a investigação apontou um ?cardápio nefasto de práticas criminosas que dilapidaram e vilipendiaram os cofres públicos de Marechal?. As ações delituosas serviram não só para o desvio de dinheiro ? proveniente de programas federais de alimentação e transporte escolar ?, mas também para ocultar o patrimônio e inviabilizar a investigação contra o grupo.

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