Política
Depoimentos de jornalistas comprometem ACM
Brasília - Os depoimentos dos jornalistas da revista ?IstoÉ? Luiz Cláudio Cunha e Weiller Diniz, ontem, no Conselho de Ética do Senado e a exibição do áudio de uma conversa gravada do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) com um deles, foram decisivos para convencer os senadores da vinculação de ACM com os grampos telefônicos da Bahia. Agora, o conselho ouvirá apenas o depoimento de ACM para que o relator, Geraldo Mesquita Júnior (PSB-AC), conclua seu parecer, até 22 de abril. Para Mesquita, não há necessidade de ouvir mais nenhuma testemunha nessa fase da investigação, que busca ?meros indícios? do envolvimento de ACM com os grampos. ?Considero que tenho em mãos informações substanciais que só podem ser acrescidas por informações do senador Antonio Carlos?, disse. O relator deverá propor abertura de processo por quebra de decoro e a tendência dos conselheiros é aprovar o relatório. A maioria dos senadores, no entanto, considerou que a fita exibida por Cunha não caracteriza que ACM tenha sido o mandante da escuta clandestina, apesar de ter envolvimento com a questão. Punição ?A fita não comprova de forma acabada que o senador foi o mandante?, afirmou o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), que, no entanto, considerou o depoimento ?muito forte como prova testemunhal?. Usando essa brecha, o PFL vai tentar ao menos amenizar a pena a ser proposta ao baiano. Em vez de cassação, o partido vai defender a aplicação de uma punição mais branda, como a suspensão temporária do mandato. ?Há indícios de que o senador Antonio Carlos Magalhães tem envolvimento com os grampos, sim. Agora, entre ter envolvimento e ser mandante há uma enorme diferença?, afirmou o líder do PFL, José Agripino (RN). ?Se associarmos a fita, na qual aparece a voz do senador, ao depoimento do jornalista, temos provas documentais do envolvimento amplo, sistêmico e organizado do senador Antonio Carlos com os grampos?, afirmou Mercadante. Ele também se referia ao depoimento de Diniz, sobre as coincidências de datas, informações e até de erros de grafia entre cartas enviadas por ACM a ministros do governo Fernando Henrique Cardoso e conversas obtidas nos grampos.