Política
Impasse penaliza 10 mil pessoas na orla lagunar
Enquanto não ocorre entendimento entre a Prefeitura de Maceió que espera a emissão de uma certidão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para que possa conseguir empréstimos financeiros em bancos estrangeiros e desenvolver projetos sociais nas margens da Lagoa Mundaú, as imagens das favelas que ficam na orla lagunar entre os bairros de Bebedouro, Mutange e Vergel do Lago são semelhantes aos dos países mais pobres da África. Cerca de 10 mil pessoas, de acordo com os cálculos técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (Sedet), sofrem as consequências da burocracia político-administrativa e vivem abaixo da linha da pobreza. Essas pessoas têm renda mensal inferior a R$ 200 por mês. A região atualmente é considerada como uma das mais violentas da capital por conta das disputas de território do tráfico e falta de opções para jovens. As famílias moram em barracos de papelão, sem banheiro, sem água tratada, ao lado de animais doentes, com fornecimento de energia elétrica improvisado. O local é cheio de lixo, roedores e insetos. As crianças e os mais velhos estão com doenças respiratórias, verminose e a maioria tem dificuldades para andar por causa do bicho-de-pé. Equipes de Saúde da Família fazem o que podem. Mas, não conseguem suprir as necessidades básicas dos mais pobres. A maioria das famílias admite que já recebeu casas em bairros distantes e voltou a viver em condições deploráveis por causa da falta de opção de trabalho e da fome. Eles dependem da lagoa para trabalhar e sobreviver. Um dos líderes comunitários da região, José Claudemir de Oliveira, conhecido como ?Cabelinho?, disse que há dez anos os moradores das favelas e das palafitas sonham com o projeto de moradias dignas e urbanização daquele local. ?Esse projeto de urbanizar a orla da lagoa é antigo. Porém, nunca saiu do papel. No ano passado, o prefeito Rui Palmeira e o pessoal da assistência social anunciaram o programa de Frente pra Lagoa. Agora, a gente tá vendo que não vai sair por causa de problemas entre a prefeitura e o Tribunal de Contas. Só que no meio desta falta de entendimento quem sai prejudicado somos nós?, lamentou.