Política
Renovação esbarra em clãs políticos
Muito tem se falado em renovação na política, motivada principalmente pela descrença de grande parte da população nos partidos e seus representantes, notadamente envolvidos em casos de corrupção. Agentes fiscalizadores do Estado que atuam na maior operação de combate à criminalidade no setor público, a Lava Jato, e que envolve também empresas privadas investigadas, consideram as eleições de 2018 como marco para a mudança do atual cenário, mas, na prática, o que tem se apresentado em Alagoas é um quadro a ser formado por nomes já conhecidos entre os representantes eletivos, alguns até mesmo citados ou respondendo a processos por corrupção. Por outro aspecto, nomes que se autoapresentam como renovadores da política alagoana, alguns jovens em idade, vêm de famílias que já ocupam funções de poder há anos, ou seja, a tradição política passada de pai para filho como acontece entre os Beltrãos, que dominam localidades do litoral Sul e região do baixo São Francisco e cuja a trajetória foi iniciada pelo deputado estadual João Beltrão (PRTB); os Pereiras, que já dominam e se revezam no poder em vários municípios do Agreste e são ligados a família dos Liras, esta por sua vez liderada pelo senador Benedito de Lira (PP), envolvido em acusações de corrupção e os Renans, destacado pela atuação do senador Renan Calheiros (PMDB), também em vias de processo no Supremo Tribunal Fe deral e pai do governador Renan Filho (PMDB), entre outros. Sem de fato, pelo menos até então, haver renovação aparente em termos de nomes, os eleitores alagoanos e no Brasil em geral ficam expostos e sensíveis ao surgimento de candidatos de fora da atividade política eletiva, os chamados outsiders, ou de pretensos ?salvadores da pátria? com discursos e atuações mais radicais, como identificado no pré-candidato à presidência da República, Jair Bolsanaro (PSC), que defende o armamento da população, posiciona-se contra movimentos sociais com o dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e por várias situações sai em defesa de sistema autoritário como a ditadura militar no Brasil (1964-1985) e ao ataque às mulheres, motivo pelo qual se tornou réu no STF, por defender o estupro de mulheres ao atacar a deputada Maria do Rosário (PT) em episódio na Câmara Federal.