Política
Relat�rio da viol�ncia revela detalhes do crime organizado
MARCOS RODRIGUES A Comissão Especial que investiga a ação do crime organizado na periferia da capital apresenta, definitivamente, os resultados das visitas aos bairros, nesta quinta em sessão ordinária da Câmara de vereadores. Participaram da equipe: Thomaz Beltrão (PT), Marcos Alves (PSB) e George Sanguinetti (PSDB). O documento servirá de base para ações do Ministério Público. O promotor Luiz Vasconcellos, que chegou a acompanhar algumas visitas da comissão, também acompanhará a conclusão do documento. Para Vasconcellos, o relatório da Comissão Especial ajudará a mapear as áreas de violência, a entender as causas e a origem. Segundo ele, o MP poderá intervir com sua estrutura e o aparelho policial após conclusão do documento. O promotor preferiu não antecipar nenhuma opinião para não atrapalhar o processo de construção dos dados. Na periferia o clima sobre o resultado das investigações é de expectativa. As várias testemunhas esperam que a contribuição que deram sirva para ajudar a mudar o quadro de descontrole da violência que hoje existe nestas áreas. Visitas Durante três semanas a comissão visitou dezenas de bairros da periferia. O principal objetivo do grupo foi encontrar testemunhas e vítimas da ação do crime organizado. Não foi difícil. Nos conjuntos Carminha, Freitas Neto e Selma Bandeira, por exemplo, praticamente todas as pessoas sofreram ou já presenciaram a ação dos criminosos. Outro dado que deixou o grupo surpreso foi a descoberta de grupos que fazem justiça com as próprias mãos. ?Eles agora investigam, julgam e condenam, normalmente a morte?, concluiu o vereador Marcos Alves, presidente da comissão. O contato com os moradores revelou uma população com medo e refém dos marginais. A maioria dos grupos são ?galeras? que se mantêm da venda de drogas e pequenos roubos. A exceção é no conjunto Carminha, onde além disso os membros das galeras invadem e expulsam moradores de suas casas. Encapuzado A fase investigatória da Comissão foi marcada pelo depoimento de um jovem encapuzado. Ele revelou detalhes de como funciona uma organização criminosa na periferia. No esquema existem, inclusive, pequenos comerciantes. A descoberta desta testemunha foi considerada uma das mais importantes pelos vereadores. A testemunha foi conduzida à comissão pelo vereador George Sanguinetti. Por motivo de segurança o jovem teve o rosto protegido por um capuz. Segundo ele, sua atividade criminosa teria iniciado, ainda na adolescência, com a coordenação de um adulto. Autoridades O documento, que será apresentado em plenário, servirá de roteiro do crime para as autoridades. Segundo o relator, vereador Thomaz Beltrão, ele servirá para deixá-las mais atentas. ?Queremos fazer com que as autoridades permaneçam mobilizadas permanentemente. A violência é um assunto que tem que estar permanentemente na ordem do dia?, completou. Na quarta-feira, a Comissão finaliza a redação para submeter o relatório a apreciação dos vereadores. Em seguida será convocada uma sessão pública para um debate mais ampliando com autoridades envolvidas no setor de segurança.