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Aliomar: “O PT tem de amadurecer e se unir”

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ARNALDO FERREIRA Um dos cardiologistas conceituado e profissionalmente estabilizado, o ex-vereador Aliomar Lins, 49 anos, está de volta a política. Ele rompeu o silêncio de quatro anos e assumiu a pré- candidatura a prefeito de Maceió representando a tendência ?PT de cara Própria?. Em 96, Aliomar se elegeu vereador. A atuação ganhou destaque porque trimestralmente prestava contas à sociedade e ao Ministério Público do dinheiro que recebia. A maioria das tendências e dos militantes petistas não acredita na possibilidade de Aliomar ser candidato em 2004. /// - O senhor é o quarto pré-candidato do PT a prefeito de Maceió. Qual é o seu objetivo? - Um dos objetivos é unificar o Partido dos Trabalhadores, para fortalecê-lo. - O PT está dividido? - O partido tem problemas. A sociedade tem acompanhado. Os recentes acontecimentos causaram um mal-estar grande. Por isso, penso ser preciso que haja um nome que possa unificar. - O que o leva a pensar que poderia unificar o PT? - Pelos contatos que tenho mantido com os companheiros de diferentes tendências do partido, acho que este projeto é possível. Este é um dos motivos que coloco o meu nome à disposição do partido. - É possível ter uma candidatura de consenso no PT? - Sim. Na última eleição para prefeito o deputado Paulão foi um dos que mais me incentivou a ser candidato. Naquele momento (em 2000), não foi possível porque tinha problemas de ordem pessoal. Mas as tendências todas apontavam meu nome como o candidato do consenso. - Hoje o maior problema do PT e o próprio PT, através de seus radicais. Como o senhor vai convencer a população que a sua candidatura é aglutinadora? - A primeira tarefa é unir o partido. Depois disso, mostrar para a sociedade que estamos encarnando um projeto de mudança e isto não será difícil por causa da história do nosso partido, do jeito próprio de governar e os resultados positivos da nossa administração. - Como será a próxima batalha do PT nas eleições municipais, particularmente em Maceió? - Teremos uma batalha difícil. Enfrentaremos três máquinas contra o partido: a máquina da prefeitura, a máquina do governo e, indiretamente, de forma surpreendente, a máquina federal. - Por que o governo federal estaria contra o senhor? - Hoje a ligação do governo federal com os estados é muito forte. A ligação acontece através do apoio à saúde, à educação... Tudo que se vê em Maceió, nas áreas de Saúde e Educação, praticamente vêm do governo federal. Este é o apoio indireto. Desta maneira, vamos ter enfrentar, paradoxalmente, este apoio do governo federal contra a nossa eventual candidatura. - Qual seria o desafio? - Convencer o próprio PT que é preciso entrar numa batalha unido. Precisamos mostrar ao partido a sua responsabilidade e propor a mudança real de governar Maceió. Para isso é necessário que o PT tenha um projeto coletivo, bem determinado, definido e bem construído. - O que é Maceió hoje? - É sinônimo de abandono, de acefalia, de governo sem rumo, sem planejamento, de manutenção de um modelo tradicional de se fazer política que a gente tanto combateu, é o clientelismo, é a falta de transparência. O nosso desafio é mostrar o que fizeram com a nossa capital. Temos de mostrar as nossas experiências e dizer com clareza que é possível fazer um governo diferente. - A população votou em Ronaldo Lessa para o governo do Estado duas vezes, na prefeita Kátia Born também duas vezes. O senhor acha que os eleitores terão paciência para ouvir novas propostas de mudança? - Olha, a paciência do povo realmente esgotou. Está saturado todo o tipo de tolerância. Pelo que percebo o povo esgotou toda a sua capacidade de suportar. Maceió é uma cidade que a gente não vê nenhum projeto coerente de desenvolvimento. Veja o nosso transporte coletivo, que tem até o fundo de transporte, e a gente não vê nenhum terminal de passageiro bem tratado, não vê o corredor de transporte organizado, a periferia totalmente abandonada. Apesar dos apoios federais, as políticas de Educação, Saúde, a gente percebe a falta de contrapartida do município. Vivemos uma dura realidade bem diferente da vizinha Aracaju (capital de Sergipe), que sai da expectativa de investir seis por cento do orçamento para 12% e modifica totalmente o rumo dos atendimentos nas áreas sociais. - E como o senhor chama o PT para esta luta? - Estou tentando, através dos companheiros de todas as tendências, e me colocando à disposição. Se acharem que posse unir o partido, num projeto coletivo e não num projeto pessoal de Aliomar, ou de A, B ou C, estou pronto. - Aliomar está de volta à política? - Sempre estive na política, como soldado, militante, minha atividade profissional. Nunca me desliguei do partido. Nas disputas recentes, estive acompanhando o companheiro Paulão, companheiro Judson quando foi candidato ao governo do Estado, manifestando à sociedade a minha preocupação. - No próximo ano haverá convenção partidária, qual a convocação para o PT e para a sociedade de um modo geral? - Ao PT, recomendo que a gente amadureça muito o projeto de governar Maceió e outras cidades alagoanas. Tudo passa pelas eleições municipais. A gente tem de amadurecer as nossas discussões. O nome de consenso pode ser de Aliomar (o próprio), Paulão, Heloísa, Judson: o importante é que a gente amadureça e entre na disputa unido para ficar forte forte. - O que a população quer? - Mudança no estilo de governar. Este é o sentimento que impera na sociedade de Maceió. - Como a população pode evitar mais um candidato da enganação? - A população tem de examinar a história do partido, das pessoas, da vontade e do despreendimento. O PT quer um projeto novo para a nossa capital.

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