Política
Operação prende oito por sonegação fiscal
O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Conexos, promotor Cyro Blatter, explicou ontem como funcionava o esquema de fraude fiscal envolvendo servidores públicos da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), que diminuíam o valor do imposto a ser pago e, em troca, cobravam propina de empresários. Para conter a quadrilha, o Ministério Público Estadual (MP) deflagrou a Operação Nicotina ? fase três. Uma força-tarefa envolvendo 60 policiais cumpriu oito mandados de prisão preventiva, todos expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital. Ao todo, foram três operações, desencadeadas simultaneamente, com o objetivo de desbaratar a fraude que causou prejuízo milionário ao tesouro estadual. Entre os detidos estão José Vasconcelos Santos, que já havia sido preso na Operação Polastro, Luiz Marcelo Duarte Maia, Alberto Lopes Balbino da Silva, Augusto Alves Nicácio Filho, Emanuel Raimundo dos Santos ? servidor aposentado da Sefaz ? e o sargento da reserva da PM-AL Evaldo Bezerra Barbosa. Também são investigados Edgar Sarmento Pereira Filho e João Antônio Pereira Ramos. Segundo o MP, eles participaram de esquema envolvendo empresa do ramo de tabaco, que, simulando a venda de produtos, ludibriou o Fisco com a ajuda dos servidores. Na coletiva, o promotor Cyro Blatter disse ter convicção de que todos os presos ? que devem responder por fraude fiscal, recebimento de propina e lavagem de dinheiro ? lesaram o erário. Segundo ele, a propina tinha como objetivo evitar que determinada empresa fosse notificada. ?Temos provas materiais dos atos de corrupção. Eles terão ampla defesa, mas as provas falam por si só?, disse Blatter, destacando a existência de cheques nominais a pessoas ligadas aos presos. ?O Emanuel controlava cinco contas bancárias em nome de terceiros. Nelas, constatamos uma movimentação de cerca de dez milhões de reais em um curto espaço de tempo, montante que seria incompatível com as atividades que essas pessoas exercem?, emendou o promotor.