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‘Sociedade está apta para alargar os horizontes’

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O senador defendeu, ainda, que este é o momento ideal para que o Brasil tenha um papel de destaque nas discussões do espectro geopolítico internacional, visto que, muito em breve, os países estarão divididos entre os que programam e os que são programados. Ele alertou que, caso não se mude a postura do Brasil nos temas internacionais, muito em breve o País não terá a oportunidade de viver outro momento econômico tão favorável no cenário internacional como o atual. Algumas medidas do governo Collor, que inseriram a população brasileira em uma nova realidade à época e que ainda estão presentes no dia a dia, foram ressaltadas em recentes materiais e publicações do economista e diplomata Roberto Campos e do historiador e analista político Marco Antônio Villa. Campos sinaliza que ?o documento de março de 1991, intitulado Projeto de Reconstrução Nacional, é uma das melhores análises que conheço das transformações estruturais de que o Brasil precisa para recuperar a estabilidade e lançar-se numa rota de desenvolvimento sustentado?. ?As reformas constitucionais sugeridas eram essencialmente corretas. E também realistas, se interpretar a política não como ?a arte do possível?, e sim como ?a arte de tornar possíveis as coisas impossíveis??, declarou. No livro Collor presidente, o historiador Marco Antônio Villa aponta que o governo Collor pôs em prática um ousado plano de privatizações, enfrentando um sólido paradigma, construído nos anos 1930, que associava o desenvolvimento do País à presença estatal na economia; e que tinha respaldo político na direita e na esquerda. Mesmo assim, coloca Villa, obteve a aprovação do Congresso Nacional e desregulamentou diversos setores, ?verdadeiros cartórios? que, há décadas, detinham privilégios. ?Collor colocou em prática o Sistema Único de Saúde (SUS). Apoiou a aprovação do ECA, criou um Ministério da Criança e tentou estabelecer um sistema escolar integral com os Centros Integrados de Atendimento às Crianças. E teve papel importante na implantação do Código de Defesa do Consumidor?, frisou o historiador, acrescentando que o voluntarismo político caracterizou seu período presidencial. ?A agenda política não só foi alterada, como parte dela de fato implementou-se como a reforma do Estado. De um lado, isto se deveu à ousadia; de outro, à sua concepção do papel de chefe do Executivo Federal?, expôs Villa. Para Collor, tais expressões deste reconhecimento popular ?são passagens de um governo contra as quais não há contra-argumentação, que explicam e desnudam em demasia a realidade que muitos insistem em desvirtuar, desmerecer ou simplesmente não aceitar. Mas, hoje, minha certeza é que a grande maioria da sociedade brasileira já se mostrou plenamente apta em alargar os horizontes. A atual convicção de seu espírito não mais incorrerá nos erros de avaliação nascidos de uma ilusão ou de uma desilusão. O futuro, ou mesmo o presente, devem esclarecer os incidentes. Não mais precisamos de novas condenações ou ultrapassadas versões para saudar um novo tempo, uma nova chance. O que importa agora é o olhar adiante, confiante e, sobretudo, com grande otimismo?, complementou. Por fim, Collor considerou que, em que pese a recuperação dos princípios básicos da economia brasileira, que apontam para uma progressiva estabilidade e um razoável crescimento sustentável, o Brasil ainda convive com um conturbado quadro político e um instável cenário institucional, ?Diante de tudo isso, o íntimo do meu sentimento público me diz que seria covardia de minha parte renunciar à verdade e desviar de mais um desafio que o destino me impõe. Os temores da história não podem preceder aos ardores da modernidade. Reunir a experiência, a coragem, o equilíbrio e a maturidade é uma dívida que não admite mais moratória?.

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