Política
Para Alencar, o Pa�s n�o vai bem, precisa crescer e gerar emprego
Brasília ? O vice-presidente José Alencar disse que ?o Brasil não vai tão bem assim?. Num momento em que integrantes do governo e do mercado financeiro estão otimistas com a queda da cotação do dólar, do risco país e da inflação, Alencar preferiu chamar a atenção para as fragilidades que persistem. ?Temos de fazer alguma coisa para ajustar a economia brasileira, para que ela volte a crescer, a gerar empregos e a distribuir renda?, afirmou o vice-presidente, logo após participar de um fórum sobre a flexibilização das leis trabalhistas no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília. A situação do País só vai melhorar de maneira mais consistente, na opinião de Alencar, se as exportações continuarem a crescer e, ao mesmo tempo, o mercado interno for ampliado. Essa expansão do mercado interno depende, segundo ele, de um processo forte de distribuição de renda. ?A saída para o Brasil agora é fazer crescer seu saldo de balança comercial para que haja o fim do constrangimento cambial e o Brasil possa, naturalmente, crescer por meio da queda dos juros que pesam brutalmente sobre a economia brasileira?, disse no fórum. O vice-presidente lembrou ainda que a crise econômica também enfraqueceu os movimentos de reivindicação salarial. De acordo com Alencar, os trabalhadores aceitam a redução do seu poder de compra porque têm medo de perder o emprego. ?A cada dia o salário é mais achatado?, disse. ?Além do desemprego, estamos convivendo com o subemprego.? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conhece essa situação ?melhor do que todos?, afirmou o vice-presidente. ?Trata-se de um cidadão que conhece bem os interesses dos trabalhadores, uma figura absolutamente insuspeita.? Duas medidas foram apontadas por Alencar para ajudar na recuperação do País: o aperfeiçoamento da legislação trabalhista e a adoção de uma nova atitude nos sindicatos, que precisam colocar os interesses nacionais acima das reivindicações corporativistas. No discurso feito no TST, Alencar elogiou realizações do governo Getúlio Vargas. Entre elas, a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de empresas como a Companhia Vale do Rio Doce, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Petrobras e de entidades como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).