Política
Protagonismo de militares na política é reaceso após intervenção
A área da segurança pública tem ganhado ainda mais destaque entre os brasileiros, notadamente devido aos altos índices de violência e criminalidade no País, e o Exército, que não faz parte do aparelho da área, ganhou protagonismo desde que o presidente Michel Temer decretou, mês passado, intervenção federal no Rio de Janeiro e deslocou tropas para o patrulhamento da cidade. O debate em torno da medida ganhou ainda mais amplitude quando o presidente nomeou interinamente para a pasta da Defesa o general Joaquim Silva e Luna. A medida ganhou até mesmo o noticiário internacional, por ter sido, pela primeira vez, após 30 anos do processo de redemocratização do Brasil, que um representante do Exército assume a função civil. Somado à intervenção no estado do Rio de Janeiro, onde a segurança pública é comandada pelo general Walter Souza Braga Neto, o Exército tomou a linha de frente no combate à criminalidade organizada. O que vem pela frente ou os resultados que serão obtidos ainda permanecem apenas como projeções. Para os gestores locais, o governador Renan Filho (MDB) e o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), o combate à criminalidade deve passar por melhorias na segurança pública através de mais investimentos na área por parte da União, com transferências diretas aos estados e municípios e ações de prevenção. ?No caso do Rio de Janeiro, o governo federal interviu porque restava pouca alternativa, mas o Exército brasileiro não tem condições de intervir em todo os estados, não tem efetivo também e não é o papel dele?, pontua Renan Filho. Para o governador, o País precisa se estruturar melhor, para combater a violência da forma como os estados já fazem. Para ele, o que falta é recurso para bancar gastos com viaturas, combustível, pneus, salários dos policiais, entre outros. Renan Filho considera ainda que a União deve criar um sistema nacional de segurança pública, que tenha financiamento por parte do governo federal, estados e municípios. Cada um com seu papel, entre os quais, segundo ele, o fortalecimento das guardas municipais. A medida, conforme o gestor, foi proposta em carta durante recente encontro dos governadores do Nordeste.