Política
Com medo da derrota, prefeitos temem abrir mão dos mandatos
Quem está com seu mandato assegurado como prefeito dificilmente largará o cargo para se lançar a uma disputa onde tudo ou nada pode acontecer, como avalia o especialista em eleições Marcelo Bastos. Daí porque, até o momento, dos 102 prefeitos, apenas os nomes do de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), e do de Traipu, Eduardo Tavares (PSDB) estarem sendo cogitados como possíveis candidatos a governador de Alagoas, no caso de Rui, e a deputado federal. Nenhum dos dois, no entanto, afirma ou nega a disposição para deixar o mandato de prefeito para trás e se lançar candidato. ?Para o prefeito sair candidato, tem que deixar a prefeitura no dia 7 de abril. Todos eles. Ou seja, vai perder dois anos e nove meses de mandato?, lembra Marcelo bastos ao dizer que ?se o Rui deixar a prefeitura no dia 7 de abril, ele vai perder nove meses de mandato do ano de 2018, e vai perder os anos de 2019 e 2020. Será que vale a pena arriscar? Se ele não ganhar ele não pode voltar?. Isso porque, informa o especialista, ?quando você é candidato a um cargo que não é o mesmo que está disputando, tem que deixar o mandato nove meses antes. E por que o governador não tem que fazer isso? Porque ele está disputando o mesmo cargo. Essa é a desvantagem do Rui, porque ele é candidato sem ser mais prefeito. E o governador é candidato sendo governador, ou seja, está com a máquina?, diz Marcelo Bastos. Neste cenário, destaca o especialista em eleições, ?um prefeito para ser candidato tem que ter a certeza de que a possibilidade de ganhar é muito grande e a maioria dos prefeitos está muito desgastada, pela própria situação. Os municípios sem dinheiro. O próprio município de Maceió não tem a mesma arrecadação que tinha, porque a crise levou a uma diminuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). As prefeituras perderam muito dinheiro?, ele pontua. Rui, se confirmar que entrará na disputa, será o candidato tucano na briga contra Renan Filho. Já Eduardo Tavares, de Traipu, que hoje está no PSDB mas estuda a possibilidade de sair para ingressar no Podemos ou ao PRTB, ?que estão fazendo um Círculo Democrático para poder compor uma chapa que consiga ganhar para federal sem precisar ter a mesma quantidade de votos que seria numa chapa maior. Prefeitos de cidades que têm um colégio eleitoral relativamente grande, não vão sair?, diz Marcelo Bastos, ao citar Arapiraca, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos, Coruripe e Palmeira dos Índios como exemplos.