Política
Estado teme perder R$ 2 bi da Eletrobras
A privatização da distribuidora de energia elétrica Eletrobras Alagoas, por decisão do governo do presidente Michel Temer, tem sido questionada e denunciada por funcionários da empresa e movimentos sociais e pouco manifestada pela sociedade em geral, que praticamente tem permanecido alheia a todo o processo. O que vem pela frente pode ser um bom negócio para alguns ou um grande prejuízo para outros, neste caso, o próprio povo alagoano. Antes Companhia Energética de Alagoas (Ceal), a empresa teve seu processo de federalização iniciado em 1997 e concluído em 2008, quando passou totalmente ao comando da União através da Eletrobras Holding. Todo esse processo de federalização da companhia, iniciado em acordos na gestão do então governador Ronaldo Lessa (PDT), gerou dividendos para o governo do Estado, atualmente estimado em R$ 2 bilhões. O atual governador, Renan Filho (MDB), tem se mobilizado para receber esta alta quantia, pertencente ao Tesouro estadual, ou seja, ao povo alagoano, mas o pagamento permanece até então indefinido. A questão passa também por decisão política e pelo processo de privatização da empresa em curso. Enquanto os trabalhadores lutam contra a venda da companhia à iniciativa privada, o governo praticamente já dá como certa a venda da empresa e espera receber a quantia que considera devida. O resultado para ambos deve vir com a publicação do edital que definirá as normas para a privatização. No dia 8 de fevereiro, em assembleia realizada em Brasília (DF), acionistas da companhia aprovaram o processo em andamento. Em 27 de fevereiro foi realizada audiência pública, em Maceió, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), controlador da Eletrobras por meio do BNDESpar, como mais um passo à privatização da distribuidora. Nem mesmo protesto dos urbanitários, apoiados por movimentos sociais, conseguiu impedir a ação, ocorrida também sob forte aparato da segurança pública. A estimativa do próprio governo federal é que todo o processo de venda seja consolidado ainda neste primeiro semestre. ?Estamos avaliando a situação e todas as repercussões. Tão logo seja confirmada a data do leilão e publicado o edital, teremos conhecimento dos seus termos. Assim teremos condições técnicas de nos pronunciar?, declarou o secretário estadual da Fazenda, George Santoro, ao se posicionar sobre a privatização da companhia e à cobrança dos R$ 2 bilhões creditados ao Estado.