Política
Campanha pobre exige estratégia
Em anos anteriores, quando o dinheiro de empresas bancava campanhas milionárias no País, a essa altura do campeonato, partidos e partidários já estavam a toda prova nas ruas na busca pelo eleitor. Com a proibição de doações de verba por pessoas jurídicas, estabelecida pela reforma eleitoral em vigor desde o pleito de 2016, a fixação de limites de custos de campanha e regulamentação da distribuição do fundo eleitoral, aprovados pelo Congresso no ano passado, o cenário é outro. Bem distante da mobilização que se tinha. Tanto que para os desavisados a eleição que se avizinha passa despercebida. Barulho mesmo, só entre os que buscam um mandato ou brigam pela reeleição. Ainda assim, no bastidor, onde as costuras políticas ocorrem, pelo menos por enquanto. A eleição 2018 deve ser ainda mais limitada em recursos financeiros do que o pleito municipal de 2016. Em tempos de ?vacas magras?, impostas pela Justiça Eleitoral, vai valer a criatividade para vencer o processo. Mas vai valer principalmente a expertise de quem soube se manter próximo ao eleitor o ano todo, numa campanha permanente. A limitação de gastos atinge, por tabela, empresas que costumavam faturar alto com campanhas eleitorais, os marqueteiros, as gráficas, as agências de propaganda e publicidade, empresas de vídeo e até os locutores especialistas em jingles, as mensagens musicais publicitárias. ?Tenho percebido uma redução muito grande na qualidade da campanha porque o pessoal que trabalha na produção sempre reclama muito da falta de verba, que implica numa falta de planejamento. Acho que, no final das contas, isso favorece muito a quem está no poder e pode fazer uso da máquina. Acaba por privilegiar os grupos políticos já estabelecidos. Os grupos que estão por se organizar vão sentir um pouco mais de dificuldade?, avalia Ramatis da Costa, presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade em Alagoas (Abap/AL). Ele revela que esta tem sido uma reclamação de quem trabalha na área, como produtoras de vídeos, os profissionais que atuam com filmagem, fotografia, por exemplo. ?Eles têm reclamado da redução do valor, do encolhimento, e até pela redução do tempo de campanha, que também mudou (serão apenas 45 dias). É algo que impactou o mercado?, diz.