Política
Contratação de empréstimos por prefeituras fica mais complicada
Foram idas e vindas, cercadas de polêmica e uma queda de braço que envolveu a Prefeitura de Maceió e o Tribunal de Contas do Estado (TCE), até vir a palavra final dada pelo Tesouro Nacional de que o município não está apto a contrair empréstimo de US$ 70 milhões junto à Corporação Andina de Fomento (CAF). A negativa da União veio após análise da capacidade de pagamento do município pela Coordenação-Geral de Operações de Crédito de Estados e Municípios (Copem), que classificou a capital como de risco alto para realizar a operação, com nota C, a menor do ranking. Situação que expõe ainda mais o abismo no qual mergulharam as cidades brasileiras com a crise econômica que surge em cenários de recessão e há pelo menos três anos vem atormentando gestores, com ameaça de levar a Nação à bancarrota. Ao não garantir a concessão de empréstimo, a Prefeitura viu cair por terra a execução de projetos prometidos e repetidos em discursos de campanha pelo prefeito Rui Palmeira (PSDB), principalmente obras nos bairros da capital que abarcariam o montante pleiteado ao mercado internacional. O quadro é grave e revela a quase absoluta dependência das cidades de recursos federais e internacionais. Investir em obras tornou-se um desafio. ?A situação da capital é difícil na recessão econômica e com os cortes do governo Temer. E no caso das prefeituras dos municípios menores é ainda mais complicada, mesmo que eles não se disponham a tomar empréstimos, seja em bancos brasileiros ou internacionais. Há uma diminuição da qualidade nos serviços municipais prestados, mesmo nos básicos, redução nos concursos para preenchimento de vagas, ausência de investimentos em obras públicas, na maioria das localidades?, alerta o economista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Péricles.