Política
Desincompatibilização termina e traz surpresas entre secretariado
A turbulenta semana na política nacional não afetou o processo de debandada no governo do Estado e na Prefeitura de Maceió. As mudanças têm como propósito viabilizar candidaturas federais e estaduais. A novidade foi a grande reunião dos tucanos para tentar reverter a desistência do prefeito Rui Palmeira (PSDB) de ser candidato ao governo ou ao Senado. Palmeira, que já havia declinado dessa ideia no mês passado, voltou a ser pressionado depois que o palanque da oposição se enfraqueceu. Foram horas de reunião para tentar colocá-lo, mais uma vez, no jogo eleitoral. Depois de muitas análises e conjecturas, no início da noite veio a notícia de que ele continua prefeito de Maceió. Enquanto a conversa acontecia, em local não revelado, circulou por grupos de WhatsApp uma fake news. A falsa notícia dava conta da renúncia de Rui Palmeira e da ?reviravolta? do cenário eleitoral. O impacto da notícia falsa foi tão intensa que a Câmara de Vereadores, no início da noite, emitiu uma nota informando não ter recebido nenhuma carta de renúncia do prefeito. A relutância do tucano fez os olhares se voltarem, mais uma vez, para o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB). Até a quinta-feira, essa era a principal aposta do partido, mas ele também não havia dado esperanças de que aceitaria. Convicto que faz um bom mandato na Assembleia Legislativa Estadual (ALE), diferenciando-se da maioria governista, também tem dados de pesquisas que o colocam na condição de reeleito ou até mesmo favorito a conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Essa, inclusive, é sua principal obstinação. Cunha quer recuperar a cadeira tomada de sua mãe, a deputada Ceci Cunha, que, junto com o marido e uma irmã, foi morta na ?Chacina da Gruta?. À época, o crime foi justamente para beneficiar o suplente, Talvane Albuquerque, também da cidade de Arapiraca. O caso foi tão emblemático para a história política e de violência no País, que voltou a ser lembrado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso, durante seu voto contra o habeas corpus de Lula, na quarta-feira passada. Com todo esse contexto, além do fato de Rodrigo Cunha não ser um quadro orgânico do PSDB, dificilmente ele abandonará seu projeto eleitoral para um voo incerto para o governo.