Política
PF investiga nova fraude no Bolsa Família
Um esquema que envolvia o principal programa de transferência de renda do governo federal, o Bolsa Família, foi descoberto pela Polícia Federal de Alagoas. Mandados de busca e apreensão expedidos pela 12ª Vara Federal culminaram em operação nos municípios de Campo Grande e Arapiraca, no Agreste alagoano. O inquérito policial identificou mais de vinte cadastros fraudulentos e a investigação ? que começou há cerca de dois anos ? segue. Também não estão descartadas prisões. O delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Agnaldo Mendonça Alves, explicou ? durante entrevista coletiva realizada ontem ? que, dos seis mandados judiciais, cinco deles ocorreram em Campo Grande. ?Foram cinco residências e um órgão público. Durante o mandado de busca, foram apreendidos um veículo e R$ 17.900 em dinheiro na casa de um dos alvos, e diversos cartões do Bolsa Família em várias das residências onde ocorreram as buscas?, afirma. Ainda atendendo à decisão judicial, um secretário da Prefeitura de Campo Grande ? identificado como integrante do esquema ? foi afastado das funções. ?A organização criminosa tinha várias modalidades de atuação. Uma delas era a inclusão de diversas pessoas num núcleo familiar para viabilizar um maior rendimento para essas famílias. Alguns beneficiários chegaram a receber cerca de R$ 8 mil por ano. Somando isso por várias famílias, dá um montante bem grande. A Polícia Federal ainda está apurando o valor do prejuízo causado à União. Não temos os valores exatos?, acrescentou o delegado. Segundo Agnaldo Mendonça, havia ainda beneficiários incluídos no Bolsa Família sem que soubessem do esquema. ?Na manhã de hoje [ontem], foram ouvidas essas pessoas e já declararam nos autos que não tinham o conhecimento disso. Quer dizer o seguinte: quem cadastrou segurou o cartão e estava recebendo em nome dessas pessoas. Daí essa outra modalidade de fraude. Temos a inclusão de gente a mais no núcleo familiar que viabilizava um rendimento maior e também pessoas que eram cadastradas sem sequer saber do tal cadastramento?, explicou. Os investigados ligados ao cadastramento das famílias são servidores públicos municipais de Campo Grande e Arapiraca. ?A polícia identificou a participação na organização de servidores, de pessoas responsáveis pelo cadastramento, de pessoas que faziam a arregimentação de outras para compor o cadastro e pessoas que faziam o cadastro de forma equivocada?, disse Mendonça.