Política
Prisão de Lula expõe racha na esquerda
A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, pela primeira vez em seu partido, nas esquerdas e no bloco de centro--direita, a possibilidade de eleição sem o petista candidato, que, mesmo condenado, é o mais popular do Brasil. Antes da cadeia, Lula fez política até a última hora, com um discurso de volta às origens sindicais e querendo aglutinar as forças de esquerda. Mas, passadas duas semanas do levante do ABC, Lula está atrás das grades. Enquanto isso, do lado de fora, a corrida eleitoral não para. Pela primeira vez se abriu um cenário novo: o da sucessão presidencial sem Lula. Segundo o cientista político e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Ranulfo Paranhos, de algum modo isso fazia parte dos planos de alguns candidatos. ?Se pensarmos no discurso do Ciro Gomes, que hoje está no PDT, mas muda sempre de partido, ele já vem tentando ser a viúva do Lula há muito tempo. Disse que, em o Lula sendo candidato, ele não seria. Ele vinha tentando uma negociação com o PT. Até porque sabe que tem uma parcela dos votos do eleitor de esquerda, mas não é tão dilatada como o Lula?, considera. A estratégia, em sua avaliação, é ?colar? na figura do ex-presidente para tentar herdar o percentual que ele vinha mantendo nas pesquisas de intenção de voto, que o colocava acima dos 30%, com potencial de chegar, no máximo, até 40%. ?Mas isso é algo que não se consegue mensurar. Digo, o que se transferiria: 10%, 20% ou 30%? Até agora o partido não sinalizou se considera essa transferência para alguém de fora do partido, ou se o plano envolve o Fernando Haddad. Pensa-se hoje num candidato mais leve, com alguém com menor envolvimento em escândalo, e isso conta muito?, acredita Ranulfo Paranhos.