Política
1º de Maio é de retrocessos, diz CUT em Alagoas
O impacto da reforma trabalhista, que alterou artigos importantes da CLT, repercute com muita força no setor de serviços. De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a contratação de horistas e a adoção do trabalho intermitente empobreceram quem produz e provocou queda na arrecadação da Previdência. Por isso, o 1° de maio pós-reforma trabalhista será de denúncia e mobilização, na próxima terça-feira. Na mesma linha, o Judiciário sente a queda nas ações trabalhistas e identifica prejuízos para vários segmentos. Segundo o ex-presidente da CUT e atualmente secretário de formação da entidade, o bancário Izac Jacson, a perspectiva de aumento de empregos anunciada pelo governo federal foi fantasiosa. ?É uma farsa buscar numa reforma, que retira direitos, falar em crescimento de postos de trabalho, sem o papel do estado. Como ocorrer isso se esse papel foi diminuído no tocante a investimentos, privatizando setores importantes, que precarizam o trabalho, e formula uma legislação que foi empurrada de goela abaixo e custou caro para o povo, por conta das negociações do Congresso?, ataca Izac. PERDAS Segundo ele, o prejuízo foi além das entidades de classe, em sua organização, nos salários dos trabalhadores e na alteração da estrutura do trabalho. Isto porque em segmentos pouco organizados, como o dos trabalhadores do comércio, a manipulação patronal só prejudicou quem buscou emprego nesse setor. ?Os comerciários, por exemplo, estavam à margem de qualquer legislação pois já viviam de salário mínimo e produção sobre venda. Esses estão pagando um preço caríssimo, porque o trabalho intermitente também chegou nessa área?, observa Izac. No segmento de serviços de segurança, em especial o de vigilantes, todos estão sendo afetados pela nova legislação. Conforme apurado pela entidade, está havendo uma proposta de redução da jornada dos trabalhadores, de 8h para 6h diárias, com o objetivo de garantir o fim do pagamento do ticket refeição. Para uma categoria que já vive no limite, com salários reajustados no máximo pela inflação, a retirada do benefício provoca queda de renda e desvaloriza a função. Essa perspectiva está presente, inclusive, para os trabalhadores que atuam ligados aos bancos, setor que mesmo na crise econômica faturou alto com empréstimos, cheque especial e operações com cartão de crédito.