Política
Professora da Ufal cita exclusão social
A Gazeta conversou com a professora universitária Lígia Ferreira, diretora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab), e perguntou se ela já sofreu racismo. ?Em Alagoas, quase todos os dias. Nos espaços mais inusitados: nos espaços de elite, nas casas de show, nos bares, restaurantes, lanchonetes, até nas seções de departamento do Centro aos shoppings da capital. Mesmo que as falas da branquitude se repitam: ?Mas ela vê racismo em tudo!? ou ?Isso é coisa da cabeça dela!?, só sabe do que estou falando quem é negro ou negra em Alagoas?, conta. Lígia lembra que, apesar da história de resistência negra e da importância da Serra da Barriga com tudo o que ela significa para a humanidade, Alagoas ainda é um Estado oligárquico. ?Há poucos em muitos espaços de poder; geralmente, famílias tradicionais. E isso traz um comportamento de exclusão à maior parte da população. É impressionante como em um Estado com quase 3,5 milhões de habitantes ainda se pode conhecer, pelo nome, as pessoas que são donas de lojas, escolas, faculdades e meios de comunicação. Porque são quase sempre as mesmas?, acrescenta. Radicada em Alagoas há mais de 35 anos, a diretora do Neab ? que é filha de alagoanos e natural do Rio de Janeiro ?, conseguiu, via serviço público, ?furar o cerco? do espaço de subalternidade destinada à pessoa negra e obter certo status socioeconômico. Tudo isso, porém, custa caro. E às vezes ainda é preciso se apresentar como professora de uma universidade federal para ter credibilidade.