Política
Preconceito também é presente no Judiciário
Já com curso superior e passado em seleção criteriosa, o juiz John Silas voltou a ouvir frases que não esqueceu até hoje. ?Quando entrei aqui, logo que eu fiz o concurso para juiz, um dos colegas disse que eu não seria chamado por ser negro. Um colega magistrado. Eu disse que havia passado nas provas, passado em tudo e que achava que o Tribunal não acataria uma situação dessa. Aí ele disse: ?É porque no Tribunal não tem negro?. Mas sempre teve, tinha dois ou três que eram negros. Eu disse ?isso não ia acontecer? e graças a Deus nunca aconteceu. Os presidentes que sempre dirigiram o Tribunal tiveram uma visão humanista e preparada para essa situação?, lembra. Não para por aí. O juiz, que atua na 8ª Vara Criminal da Capital, diz que quando passou no concurso da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), os olhos do preconceito também o fuzilaram. ?Disseram também que eu não iria assumir por ser negro, mas eram questões veladas, não eram declaradas. E graças a Deus hoje sou professor da universidade. Com 13 anos eu saí de casa, fui trabalhar no Rio de Janeiro e fui vencendo. Em 1979, vim para Alagoas trabalhar como administrador da Santa Casa, depois para trabalhar na Fundação Lamenha Filho. Depois veio o concurso da universidade em 1992 e 1995 o concurso de juiz?, conta.