Política
Busca por remédios lota Defensoria
A papelada abarrota a sala da Defensoria Pública do Estado, onde o trabalho não para. A assistência precisa ser rápida, a tempo de evitar que vidas sejam ceifadas por falta de um remédio, exame ou um procedimento cirúrgico. A equipe do Núcleo de Saúde Pública, localizado no bairro do Poço, é responsável pelo atendimento de pessoas de baixo poder aquisitivo, que precisam dos serviços de saúde pública e não encontram amparo do Estado ou dos municípios. Os casos relacionados ao governo federal vão para a Defensoria da União. As cifras são altíssimas. Apesar de não haver um número exato dos valores anuais, é possível dimensionar. São tratamentos ou serviços que passam de R$ 600 mil por ano, como é o caso de procedimento em que a família do paciente recorreu à Defensoria para assegurar UTI aérea que o conduza de um hospital no interior de São Paulo para Maceió, além de garantir assistência domiciliar, com cuidados de home care e acompanhamento de profissionais de várias áreas de saúde, dietas apropriadas, curativos, fraldas e todo o material necessário ao tratamento. O Estado foi acionado pela Defensoria em Ação Civil Pública (ACP) para assegurar ao paciente o direito constitucionalmente previsto. Os nomes dos assistidos não podem ser divulgados por questões éticas e legais. Mas a Gazeta teve acesso a diversos processos que mostram o abismo existente entre o que determina a lei ? que todos tenham direito à saúde ? e o cumprimento da legislação. Para se ter ideia da situação, somente no mês de abril deste ano, a defensora Ana Karine Brito, chefe do Núcleo de Saúde Pública, atendeu 1.582 pessoas. Desses, 196 se transformaram em processos, ou seja, foram judicializados. No mesmo mês de 2017, foram encaminhados à Justiça 163 processos relacionados à saúde. Neste mês de maio, até a semana que passou, foram 1.447 atendimentos. Desses, 128 se transformaram em ação judicial. Números que devem ultrapassar o mesmo período de 2017, quando durante todo o mês foram impetrados 201 processos na Justiça. Em um dos processos, o Estado é acionado para fornecer o medicamento Ruxolitinibe, indicado no tratamento de mielofibrose, que pertence a um grupo de neoplasias, também chamada de câncer do sangue. O tratamento custa R$ 549.100,00 por ano, e o paciente terá que fazer uso da medicação por tempo indeterminado.