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Alagoas ter� mausol�u de l�der revolucion�rio

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MARCOS RODRIGUES O governador do Estado, Ronaldo Lessa (PSB), e a prefeita Kátia Born (PSB) querem homenagear o líder revolucionário Manoel Lisboa com mausoléu para seus restos mortais, encontrados no Cemitério do Campo Grande, em São Paulo, onde foi sepultado, em 73, como indigente após uma sessão de tortura no DOI-Codi. À época, Lisboa, que estudava Medicina, na Universidade Federal de Alagoas, estava com 29 anos. O maior obstáculo para a construção do mausoléu tem sido a família do líder revolucionário. Eles querem evitar a exposição política ou aproveitamento eleitoreiro. Lessa disse respeitar a posição da família, porém não vai desistir de homenagear o fundador do Partido Comunista Revolucionário (PCR). ?Estou aceitando a sugestão do pessoal do PCR, que propôs a construção de um monumento que possa registrar os desaparecidos, porque a família tem resistido a liberar o translado dos restos mortais?, explicou o governador. A idéia foi aceita pela prefeita Kátia Born e, segundo o governador, falta apenas a indicação de logradouro público. ?Assim que ela fizer a escolha, nós construiremos um monumento em homenagem às vítimas da ditadura?, confirmou o governador. O Partido Socialista Brasileiro, sigla do governador e da prefeita, tem uma fundação que leva o nome de Lisboa. Ele é considerado o alagoano de maior expressão política, da época da ditadura. Até hoje seu nome é pichado nos muros, como referência da luta que desenvolveu contra o regime militar. Prisão Manoel Lisboa foi preso no dia 17 de agosto de 1973, na cidade do Recife, por agentes do DOI-Codi, a polícia política da época do regime. O órgão ganhou força com a ditadura militar instituída em 1964, após o golpe. Depois de preso, Lisboa foi removido para São Paulo, onde continuou sendo torturado para delatar companheiros do partido que ajudará a criar. Como não entregou ninguém, foi maltratado até a morte. As principais sessões de tortura foram conduzidas pelo temido Sérgio Fleury. Segundo os depoimentos de outros presos, inclusive de sua ex-mulher, Selma Bandeira (já falecida), ele aparentava ter sofrido várias queimaduras e estar impossibilitado de andar. Para se livrar do corpo e não deixar pistas, enterraram Lisboa no Cemitério de Campo Grande, um dos maiores de São Paulo, na condição de indigente. Durante anos seu nome figurou na lista dos desaparecidos. A versão oficial para sua morte, apresentada pelo governo militar, dizia que Lisboa teria sido morto numa violenta troca de tiros com a polícia no Largo da Moema, em São Paulo. Para confirmar esta justificativa, assinaram a necropsia os legistas Harry Shibata e Armando Cânger Rodrigues. A requisição para a farsa foi solicitada pelo delegado Edsel Mangnotti. Procura O drama da procura dos parentes dos desaparecidos é contado até hoje em diversas obras literárias. As mais conhecidas são Brasil Nunca Mais, organizado por dom Evaristo Arns, e Batismo de Sangue, escrito por Frei Betto. Até hoje, os detalhes dos requintes de tortura impressionam. As obras reafirmam o que todos que viveram a época sabiam: enfrentar significava a morte. As famílias dos desaparecidos se organizaram para efetivar as buscas e contam, inclusive, com um movimento. No caso de Manoel Lisboa, seu tio, o capitão do Exército Carlos Cavalcanti, tentou resgatar seu corpo. Mas uma das condições impostas pelos militares era de que o caixão com o corpo não fosse aberto. A família preferiu não aceitar, por causa da incerteza de quem estariam recebendo. No cemitério de Campo Grande, o corpo de Lisboa foi sepultado em vala comum, com seu companheiro de PCR, Emanuel Bezerra dos Santos. Partido Manoel Lisboa morreu em nome de uma causa: o socialismo revolucionário. Depois de romper com o PCB ele ingressou no PC do B, dirigido por João Amazonas, falecido ano passado. Por achar que o partido estava conciliador rompeu e formou o PCR. A idéia era que o partido pudesse agregar as ligas camponesas com os trabalhadores da cidade, além dos estudantes. A estratégia era a Guerra Popular Prolongada e atacar as cidades a partir de movimentos vindos do campo. Neste aspecto, o Nordeste se apresentava como uma região privilegiada para as ações. Por isso, Manoel é reverenciado até hoje pelos militantes de esquerda. Para o vereador Thomaz Beltrão, é importante a vinda de seus restos mortais para o Estado. ?É o resgate da história recente do País. Defendo que seus restos venham para o Estado?. Ele, inclusive, pretende convocar uma sessão especial da Câmara para relembrar a trajetória de Lisboa. Distante da polêmica, o governo espera conseguir trazer os restos mortais de Lisboa no dia 6 de maio, quatro meses antes de completar 30 anos do assassinato do líder revolucionário. Até lá, setores do governo tentarão reverter a posição da família, para que as homenagens sejam prestadas.

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