Política
Governador quer incluir Helo�sa na coaliz�o
ARNALDO FERREIRA O governador Ronaldo Lessa (PSB) garantiu que não vai transferir mais o centro administrativo do governo para o Tabuleiro do Martins. ?O centro administrativo vai ficar nos prédios antigos que ficam em torno do Palácio?. A estratégia faz parte de um projeto antigo dos empresários do comércio que querem revitalizar o centro tradicional de Maceió. No campo político, o governador voltou a surpreender e demonstrou que seu projeto de coalizão é mais abrangente, inclui até o Partido dos Trabalhadores. Disse estar disposto a conversar com a senadora Heloísa Helena e demonstrou que gostaria de vê-la ao seu lado. ?Heloísa está afastada da gente porque quer?. Nesta entrevista concedida à GAZETA DE ALAGOAS, o governador defendeu o presidente Lula e rebateu críticas dos radicais do PT assacadas contra o presidente da República. /// - Quando o senhor era prefeito de Maceió, prometeu recuperar o centro comercial da cidade. Mas, quando isso vai acontecer de fato? - Lutamos pela revitalização de Jaraguá. O meu trabalho agora é ajudar na recuperação do centro da cidade. Tanto que o nosso centro administrativo não vai mais para o Tabuleiro do Martins. Será em torno do Palácio do governo para que a gente recupere o centro comercial. Os comerciantes e os empresários vivem preocupados com a revitalização do centro. - Especificamente, onde será o novo centro administrativo? - Vamos tentar recuperar aquela área desvalorizada. Acredito que levando as secretárias para aquela região estaremos protegendo os prédios históricos. A idéia é colocar em duas ou três quadras do entorno do Palácio todo o aparato administrativo. - Governador, há novidades na distribuição dos cargos federais. O PSB fica realmente com 11 cargos em Alagoas? - Acredito que sim. Não há mudanças. - Isto é uma demonstração de força política em Brasília? - Não, não vejo assim. Eu não tenho força política em Brasília, tenho amigos e aliados no governo federal. - A indicação do comando da Caixa Econômica Federal no Estado fica mesmo sob a responsabilidade do PSB? - Sim, fica. - A CBTU é disputada pelo PSB, PCdoB e PMDB. O senhor tem idéia com quem ficará a representação da Companhia Brasileira de Trens Urbanos? - A CBTU foi liberada para o PMDB. Na verdade, conversamos em Brasília, achamos justo que o governo federal queira destinar cargos em Alagoas para o PMDB, porque precisa do partido na sua base de sustentação e assim resolvemos abrir mão. Este é um momento de compreensão. - Governador, quando será a conclusão da reforma administrativa? - Até o final de abril. Veja só, vamos concluir a reforma em termo de papel, em termo de legislação. Mas a reforma administrativa que está em curso não se encerra apenas na reformulação da máquina e no preenchimento dos cargos. A consolidação do novo método de trabalho deverá demorar mais alguns meses. - A arquitetura do projeto de coalizão não poderia dar um resultado melhor: o PMDB, PSDB, os partidos emergentes falam abertamente em manter a aliança nas eleições municipais em 2004 com o seu PSB. Só o PT e particularmente a senadora Heloísa Helena estão afastados deste projeto de coalizão... - Ela (Heloísa) está afastada do projeto porque quer. O que nós queremos é garantir o estado sepulte, de uma vez por todas, a política assistencialista nociva. - Como é essa política? - É aquela que limita o cidadão, o deixa dependente. Nós queremos uma política nova, que dê cidadania, respeito, dignidade. Não queremos mais voltar ao passado de atraso. Heloísa poderia estar conosco, traçando esta nova política. Gostaria que Heloísa estivesse unida com a gente, para, juntos, construirmos um Estado melhor. Acho que os três senadores e eu, que sou o mais velho desta nova geração de políticos alagoanos, temos a obrigação de levar o Estado a novos rumos e novos caminhos. - Mas, o problema é o gênio forte tanto do senhor como o da senadora... - Acho que as nossas brigas, as nossas diferenças não podem ser maiores que os interesses do Estado de Alagoas. - O senhor superou as críticas do PMDB, do PSDB e hoje está unido com os dois partidos. Não pensa em sentar num campo neutro e buscar este entendimento com a senadora Heloísa Helena? - Se houver interesse por parte da senadora, eu não teria nenhuma dificuldade em sentar. Já estivemos juntos em outras batalhas, portanto a gente poderia sentar e conversar, sem problemas. Eu gostaria que a gente conseguisse fazer um projeto para Alagoas com o objetivo de avançar mais, para que nossos filhos encontrem tempos melhores. De minha parte tenho feito o que é possível. Com ajuda da nossa bancada estamos construindo o canal do sertão, um novo aeroporto, fiz concurso público, escolas democráticas... não quero retroceder, por isso é importante que a senadora esteja do nosso lado. Eu respeito as nossas diferenças... - Governador, nesta Semana Santa o que mais preocupa a periferia das grandes cidades alagoanas, especialmente Maceió, é o crescimento da violência... - Olha... Estamos atento ao problema e não vamos admitir que o crime aqui tome proporções maiores que a tolerável. Tanto que fizemos uma conferência estadual envolvendo todas as regiões. Estamos trabalhando as propostas da sociedade. Agora, este problema passa também por mudanças do processo cultural e isso não se resolve da noite para o dia. Temos de combater a violência, implementar a dignidade. Por isso, destruímos os tanques das delegacias, queremos retirar as celas das delegacias porque o lugar do preso é na penitenciária. - Além da escola pública de qualidade, as comunidades cobram políticas públicas de geração de emprego e renda. Como o senhor vê a cobrança? - Este é um processo que está em curso. Alagoas não é uma ilha no Brasil. Sofremos com a política de juros altos, com a recessão. Graças a Deus Lula está aí, temos um governo progressista. Passamos a vida toda apostando nele e ele está fazendo o que a esquerda queria. A gente tem de ter confiança e não ficar negando Lula. O presidente venceu para construir na harmonia, no processo democrático, precisamos todos ter paciência. Olha que estou bem à vontade para falar desta maneira porque não sou do partido do Lula. - O senhor está pedindo ao PT para parar de criticar Lula? - Não estou pedindo a ninguém para ser catenga. Acho natural a crítica, que haja discordância. As discordâncias têm de acontecer no fórum competente. - Alagoas está unida? - A união que temos é pouca. Por exemplo, essas críticas que o PT faz contra a permanência de Fernandinho Beira-Mar, contra algumas indicações federais, isto não ajuda nada. - E a crítica que o senhor fez aos integrantes do PT que encaminharam um dossiê contra a presidente do IMA, Sandra Menezes, para impedir a indicação dela para o Ibama? - Gritei contra isso porque acho que foi uma coisa partidária, para atrapalhar as coisas, foi de sacanagem, uma coisa pequena. Mas apesar de tudo vivemos um novo momento. Essas coisas menores me irritam porque são discussões de todos os dias e sou combativo.