Política
Candidatos apresentam propostas para a saúde
A partir deste fim de semana, a Gazeta de Alagoas trará, semanalmente, as propostas dos candidatos ao governo do Estado para cinco áreas de interesse da sociedade: saúde, educação, segurança, moradia e emprego e renda, que são direitos sociais garantidos pela Constituição Federal. O objetivo é mostrar como os candidatos pretendem efetivar esses direitos por meio de políticas públicas. A abordagem tem como base as propostas entregues pelos concorrentes ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL), uma exigência da lei eleitoral. O primeiro tema a ser abordado é saúde, uma das áreas mais problemáticas do Estado, segundo pesquisa realizada em agosto pelo Ibope e divulgada no último dia 26 pelo portal de notícias G1. De acordo com a pesquisa, 69% dos eleitores apontaram a saúde como uma das três áreas que a população de Alagoas enfrenta maiores problemas. As outras duas áreas mais apontadas foram educação e segurança pública. Um levantamento realizado pelo Datafolha e divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo no dia 21 de agosto mostrou que Alagoas está entre os estados mais ineficientes do País na relação entre recursos financeiros e cumprimento de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e segurança. Nesta primeira abordagem, os candidatos Fernando Collor de Mello (PTC), da coligação Alagoas com o Povo, formada pelos partidos PTC/PSDB/PP/PSB/PSC/ Pros/PRB/DEM; Renan Filho (MDB), que disputa a reeleição pela coligação Avança mais Alagoas, com os partidos MDB/Pode/Solidariedade/PPS/PDT/PR/PTB/ PCdoB/PHS/DC/Avante/PT/PSD/PRTB/PRP/ PMN/PV; Josan leite (PSL), da coligação Muda Alagoas de Verdade, formada por PSL/Patri/PP; Basile Christopoulos (Psol), da coligação Reconstruir Alagoas, formada por Psol e PCB; e Melquezedeque Farias (PCO), com candidatura independente, relacionam suas intenções e reforçam em declarações o que pensam da área. Entre os postulantes ao governo do Estado, apenas as propostas de Melquezedeque Farias deixam de ser citadas diretamente pelo fato de o candidato não ter apresentado, até então, o documento exigido pelo TRE. A Secretaria Judiciária do tribunal, ao tomar conhecimento, informou que o candidato será notificado e terá prazo de 3 dias para apresentação da proposta, obrigatória para postulantes ao Poder Executivo. FERNANDO COLLOR - Coligação Alagoas com o Povo (PTC, PSDB, PP, DEM, Pros, PRB, PSC, PSB) Candidato ao governo de Alagoas pela coligação Alagoas com o Povo, o senador Fernando Collor atribui à gestão ineficiente do governo do Estado o agravamento da crise na área da saúde pública. ?Estou de pleno acordo com o Conselho Regional de Medicina de Alagoas, um colegiado sério que faz leitura realista desse quadro caótico em que vive a saúde, que agoniza por falta de leitos, insumos e profissionais qualificados?, afirmou. Collor vê nesse quadro de caos uma das fortes razões para se contrapor, com sua candidatura, ao continuísmo do atual governo. ?É um governo ineficiente, conforme concluiu estudo recente e circunstanciado do Datafolha e do jornal Folha de S.Paulo, cujo teor atesta que o Estado foi lamentavelmente colocado na zona de rebaixamento. E por quê? Por não entregar os feitos?. ?Na saúde, o Datafolha posiciona o Estado abaixo da média. Na verdade, aqui nem vale a tese de ter gastado muito e feito menos. Aqui, nem foi feito. Basta olhar as obras inacabadas no setor de saúde e a falta do básico para prestar assistência às pessoas?, ressalta o candidato. Collor conclama a sociedade a modificar o rumo. ?Chega de governo virtual que passou todo esse tempo fabricando propaganda enganosa?. ?Se escrevemos na primeira página do nosso Plano de Governo o povo como princípio e fim de todas as ações, então é preciso olhar a situação do capital humano que atende os necessitados na área da saúde?, destaca o candidato da coligação Alagoas com o Povo. ?É preciso valorizar e capacitar os servidores, garantindo condições de trabalho para poder ofertar atendimento de qualidade. Vamos investir na humanização do atendimento?. LEITOS Prosseguindo em sua proposta, Collor se compromete com a ampliação de leitos. ?Quanto a esse ponto, para mim, obra iniciada é obra concluída. Temos compromisso de tocar as obras inacabadas que existem no setor de saúde pública?, afirma. ?Vamos implantar novas UPAs, com vista à descentralização da assistência e ampliar o Programa Médico de Família, buscando parcerias com os municípios, pois neles residem as famílias?. JOSAN LEITE - Coligação Muda Alagoas de Verdade (PSL, Patri e PPL) O candidato ao governo do Estado pela coligação ?Muda Alagoas de Verdade?, Josan Leite, afirma que, na área da saúde, o primeiro aspecto a se observar em toda a administração pública é o respeito ao funcionário. O segundo é o atendimento ao cidadão. ?Sem o primeiro cuidado citado, não se pode ter o segundo?, ressalta. O terceiro pilar de sustentação, segundo ele, é controle de custos e investimentos. ?Começaremos investindo em um levantamento de necessidades do setor. Passaremos, logo após, a planejar as ações necessárias. Agiremos com transparência e buscaremos as melhores negociações com fornecedores, além de acompanharmos tudo por índices de eficácia dos serviços prestados, tanto de forma interna quanto ao público?, declara o candidato. Diante desses aspectos, Josan Leite acredita que o crescimento profissional dos servidores se dará por mérito. ?Quem se dedica mais, quem não falta, quem é pontual, quem investe em capacitação merece mais e receberá mais. Nossa busca é pela excelência?, pontua. Ele tem entre as propostas criar o ?Programa Governo na Mão do Cidadão?, que, de acordo com o candidato, incluirá a marcação de consulta, cadastro e acompanhamento, tudo feito através do celular. ?Nele, os cidadãos poderão se utilizar dos serviços do governo, acompanhar e avaliar tudo, desde as compras, prestação de serviços, horários e qualidade dos serviços prestados?, reforça. Para o candidato, a avaliação será um dos instrumentos de crescimento do sistema, para que possam ser aferido os resultados durante e ao fim dos processos. ?Nosso governo será focado em resultados e será avaliado pela administração e pelo cidadão. Por fim, usaremos da tecnologia para a implantação de serviços inovadores para agilizar atendimentos de emergência. Desses, falaremos depois?, assegura. Em suas propostas, Josan Leite destaca que a melhor, mais eficiente e menos onerosa ação em saúde coletiva que se conhece é a prevenção. ?Porém, dado o estado caótico em que se encontra a saúde pública em nosso País, temos urgências e gargalos que precisam ser ao menos minimizadas. O modelo atual [SUS] tem se mostrado ineficaz e caro nesse sentido. Dessa forma, há que se buscar outro modelo mais eficiente tendo como referência um modelo misto em parceria com o setor privado, além da melhoria na gestão das unidades de saúde pública já existentes?.