Política
Collor sai em defesa da agenda externa

Da tribuna do Senado Federal na última quinta-feira (22), ao realizar um balanço da missão oficial que cumpriu em visita à Síria, ao Líbano e ao Irã, o senador Fernando Collor (PTC), presidente da Comissão de Relações Exteriores, alertou que não se pode esquecer que a política externa se faz por princípios e está assentada sob tradições. ?Mais do que isso, ela não pode ser tratada como política de governo, mas sim, do Estado brasileiro?. No pronunciamento, Collor alertou que ideologias, nem de esquerda, nem de direita, devem se interpor nas relações entre o Brasil e os demais países. Durante a missão ao Oriente Médio, o senador defendeu o exercício do ?soft power? do Brasil na construção da paz e na busca de pontos de convergência. Em seu discurso, o senador lembrou do legado que a diplomacia brasileira tem em sua essência, inclusive, sendo reconhecida por diversos países. Para o parlamentar, este legado não pode, simplesmente, ser ignorado. E, diante disso, é preciso ter como norte em suas ações a ampliação do comércio e a continuidade do diálogo construtivo, além de manter a influência positiva sobre a comunidade internacional. Por onde passou nessa missão oficial, Collor narrou que encontrou autoridades diplomáticas dispostas a ampliar as relações comerciais e de amizade com o Brasil. ?Quando falo de estreitamento das relações, falo da necessidade de interlocução mais frequente e de coordenação dos próximos passos, a fim de identificar pontos de convergência que nos inspirem e guiem nesse momento de grande instabilidade mundial. Devemos trabalhar para que a política externa brasileira não mude em seus aspectos mais básicos: o apego aos princípios, o respeito às leis, a solução pacífica das controvérsias internacionais por meio do diálogo, o exercício do ?soft power? e a busca de pontos de convergência. Sempre cientes de que a diplomacia parlamentar não substitui a diplomacia convencional, cumpre dar nossa contribuição para manter e aprofundar as relações com o Irã, com a Síria e com o Líbano, em prol da prosperidade dos povos e da paz que todos desejamos?, defendeu Collor na tribuna do Senado. EMBAIXADA BRASILEIRA Ainda durante seu discurso, Fernando Collor relatou que foi alertado na passagem pelo Líbano que os brasileiros tivessem atenção com o projeto de transferência da embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, santuário para as três grandes religiões monoteístas. Mais do que isso, apontou o parlamentar, foi lembrado sobre o respeito devido ao direito internacional, em postura da qual o Brasil sempre foi exemplar, seguindo escrupulosamente não só as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, mas também as deliberações tomadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas. ?Caberia, neste momento, a desditosa iniciativa de abandonar mais de meio século de ação - e coerência - diplomática, em troca de ganhos incertos e a decepção de países amigos como o Líbano e todos os demais do mundo árabe??, questionou. O senador brasileiro também destacou a importância de defender o Direito Internacional, a Carta das Nações Unidas, trabalhando por um mundo de paz e estabilidade, ?no qual não haja espaço para aventuras intervencionistas unilaterais que, sob os mais diversos pretextos humanitários, apenas trouxeram morte e destruição?. ?Devemos repudiar, de forma veemente, as tentativas de determinados países de sabotarem os esforços de paz dos Processos de Genebra, de Astana e do tão necessário Diálogo Intra-Sírio. Denunciar aqueles que pretendem prolongar ali sua presença ilegal para satisfazerem seus interesses estratégicos e, por meio de tentativas de partilhamento daquele país, se apossarem de suas reservas de gás e petróleo e obterem contratos para suas empresas e de seus aliados?, alertou o senador em seu discurso.