Política
ENTREVISTA MARX BELTRÃO

Novo coordenador da bancada federal alagoana em Brasília, o deputado Marx Beltrão (PSD) analisa que o governo do presidente Jair Bolsonaro precisa encontrar um rumo. Mas ele reconhece que ainda é cedo para fazer cobranças nesse sentido, antes mesmo do atual governo completar os tradicionais 100 dias. E emenda suas razões: ?Posso dizer com propriedade e experiência que ser do Executivo é sempre muito complexo, árduo, difícil. As medidas são quase sempre urgentes, nunca são unanimidade, sempre interesses, legítimos ou não, são contrariados. Governar é uma tarefa que exige muita cautela, foco e sobretudo experiência?, diz Beltrão. O principal reflexo desse cenário talvez sejam as constantes reviravoltas nas decisões anunciadas por Bolsonaro e sua equipe ministerial. Nesta entrevista à Gazeta, Marx Beltrão avalia que esse comportamento não pode ser visto como insegurança. ?O presidente é um ex-parlamentar, que nunca havia tido experiência no Executivo, assim como parcela dos ministros. Isto não é uma crítica, é somente uma constatação. Portanto, não estou amenizando, mas alguns recuos são naturais. E olha, recuar mostra que o governo, quando vê erros, busca corrigi-los?. Confira. ?Eu vejo um esforço muito grande por parte do governo em dialogar? Gazeta ? O senhor se elegeu deputado federal com a terceira votação mais expressiva de Alagoas para o cargo, recebendo mais de 139 mil votos. Mas, durante boa parte de 2018, o senhor travou uma espécie de embate velado com Maurício Quintella pela disputa ao Senado. Planeja mirar o Senado novamente numa eleição futura? Que lição tirou da articulação política travada no ano passado? Marx Beltrão - Bom, inicialmente preciso dizer que Maurício Quintella é um amigo, um companheiro de trabalho e de política. Fomos ministros em períodos simultâneos, colegas de bancada. E em segundo lugar gostaria de deixar claro que não houve embate velado, nem nenhum embate. Em sua totalidade, os fatos anteriores à eleição de 2018 são naturais, são inerentes ao jogo político, e tenho certeza que o Quintella teve e tem maturidade pessoal, e política, para compreender as nuances que se desdobram neste campo, com relação a todos os atores da política alagoana. Neste momento, meu foco total, integral, é atuar em defesa de Alagoas e marcar meu segundo mandato na Câmara como, novamente, o deputado federal que mais recursos federais trouxe para nosso estado. Falo isso com modéstia, com humildade e com respeito imenso aos demais colegas de bancada. Mas isto é um fato. Sobre futuro, não penso em candidatura a nada, a não ser meu desejo de ser candidato a receber o reconhecimento de cada alagoano e cada alagoana, especialmente os mais humildes. Portanto, o Marx é candidato a trabalhar por Alagoas na Câmara, em Brasília, junto com os demais deputados e senadores. Lição? A de que é necessário sempre atuar em prol da sociedade, porque esta reconhece quem é atuante. Os quase 140 mil votos que recebi, e os quais diariamente agradeço, comprovam isso. Seguirei sempre sendo o mesmo Marx. O homem, pai, parlamentar, que anda nas ruas, visita capital e interior, pega na mão das pessoas, e é obcecado por trabalhar pelo povo alagoano. O senhor foi escolhido para liderar a bancada federal alagoana, função que vinha sendo exercida pelo ex-deputado federal Ronaldo Lessa nos últimos anos. Como foi esse processo?