Política
Agronegócio pressiona por mais mudanças

Na academia, entre os especialistas, há um clima de vigilância que se soma à preocupação sobre o que pode ser definido como estratégia de ação para o meio ambiente. A bióloga e pós-doutora pela Universidade de Griffith na Austrália, Flávia Moura, que leciona na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), analisa que discurso e prática devem se alinhar nos próximos meses. Para ela, que também tem doutorado em Ecologia e Recursos Naturais (Universidade de São Carlos), o presidente vai atender demandas e metas dos grupos econômicos, entre eles o agronegócio. Nesse contexto, avalia que as mudanças anunciadas para o Ibama são parte dessa estratégia. ?Ele fará o possível para ter uma equipe que facilite as licenças ambientais e isto poderá representar o afrouxamento dos critérios. Esta possibilidade é assustadora, uma vez que o Brasil é o país da maior diversidade biológica do planeta e essa biodiversidade deveria ser cuidada, não só por uma questão ética, mas também pela possibilidade de gerar recursos de forma sustentável?, considera. A especialista afirma ainda que o agronegócio brasileiro, mesmo queixando-se de pressão ou perseguição dos órgãos ambientais, em relação a países desenvolvidos é um dos que mais utiliza agrotóxicos em seu processo de produção.