Política
Policiais militares confirmam amea�a de se aquartelar para obten��o de reajuste
ARNALDO FERREIRA / EDITOR DE POLÍTICA Os militares da PM sustentaram, ontem, o clima de insatisfação com os baixos salários e confirmaram a manchete da GAZETA DE ALAGOAS, do último domingo, que revelou a existência da disposição de aquartelamento na tropa, para pressionar o governo a conceder um reajuste médio de 38%. Os oficiais, sobretudo os coronéis de Estado-Maior da PM, ontem, no quartel geral, também não esconderam a frustração com a demora do governo em responder a proposta de aumento salarial. Eles, no entanto, dizem que o clima é de ?expectativa? e tentam acalmar a tropa insatisfeita. O comandante-geral, coronel Edmilson Cavalcante, em 25 transparências, mostrou, anteontem, ao governo, a realidade da Polícia Militar e os motivos da insatisfação. Já ontem, o coronel Edmilson participou de mais uma versão do Governo no Interior, no município pobre de Senador Rui Palmeira, no Sertão, e, assim, ficou longe da imprensa. Os 17 coronéis da PM recebem, em média, R$ 4,2 mil líquidos (R$ 6 mil brutos, salário do comandante-geral) e querem ganhar R$ 8,1 mil. Já na Associação dos Subtenentes e Sargentos, na posse do presidente, sargento Leonardo Vicente, as lideranças já falavam em convocar uma assembléia geral, para discutir o aumento de 38% a 48%, que esperam receber do governo. Lá, a palavra de ordem é ?entendimento?. Porém, os militares não descartam a radicalização se não conseguirem reajuste igual ao da Polícia Civil. Apesar de o governo de Alagoas ter usado a edição de ontem, do Diário Oficial do Estado, para protestar e afirmar que a ?Gazeta faz a apologia do aquartelamento e desinforma com dados desencontrados?, a atitude terminou frustrando, ainda mais, os militares. O vice- presidente da Associação de Cabos e Soldados (entidade que reúne cerca de 6.500 PMs), cabo Milton Araújo Silva, sustentou que ?o clima de insatisfação na tropa piora a cada momento. O aquartelamento ganha corpo?, alertou. /// Líderes da PM acusam governo de gerar intranqüilidade Os oficiais e líderes da Polícia Militar cobram aumentos e acusam o governo de gerar intranqüilidade na tropa. O ex-deputado e major PM Paulo Nunes (PT) acusou o governo de piorar a situação ao usar o Diário Oficial, para tentar negar a existência do clima de aquartelamento. As categorias com os menores salários são as que mais reagem. ?Ao negar que existem salários baixos na PM o governo dissimula a realidade?. Nunes acrescenta que o clima entre oficiais, subtenentes, sargentos, cabos e soldados é de cobrança. ?Os militares querem reajustes equiparados aos da Polícia Civil?. O vereador e coronel George Sanguinetti (PSDB) ressaltou que a maioria dos coronéis vive o clima de ?expectativa?. Porém, percebe ?um clima forte de aquartelamento entre cabos e soldados. Os militares temem punições previstas no regulamento. Mas, a matéria da GAZETA de domingo ressalta a realidade da PM?, disse. O presidente da Associação de Cabos e Soldados, soldado Wagner Simas, repetiu: ?Há clima de aquartelamento. A insatisfação aumenta por culpa do próprio governo que pediu para a PM elaborar a proposta de reajuste e não responde?. No Diário Oficial, o governo assegura que o soldo básico do soldado de segunda classe é R$ 787,00. ?Sou soldado há 17 anos, somando as vantagens e a gratificação de Palácio recebo R$ 729,00 líquidos. Se tirar R$ 89 do soldo e R$ 168,00 das diárias, recebo R$ 463,00?, frisou Simas, ao sustentar que o salário real de um soldado é R$ 310,00. (AF)