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familiares de vítimas da ditadura reagem a celebração do 31 de março

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Não se celebra a dor e a angustia. É o que revelam parentes das vítimas da ditadura que foram torturadas, mortas e desaparecidas. Em suas vidas, as feridas dessas perdas - quase sempre de forma abrupta e violenta - não cicatrizam. Pelo contrário. Às vezes, são cutucadas como nesta semana, quando o presidente Jair Bolsonaro indicou que o 31 de março de 1964, dia do golpe militar no País, deveria ter ?as comemorações devidas?. Rapidamente voltaram às memórias dessas pessoas, seja pelas redes sociais ou na mídia em geral, a chegada dos militares ao poder, há 55 anos. Foi golpe, como registra a história. Mas para os quartéis, foi intervenção contra os comunistas. E morte para alguns militantes comunistas e suas famílias. Repercutiu tão mal que o próprio governo recuou, na quinta-feira passada, afirmando ter feito a proposta para ?rememorar?. Na verdade, depois vazou que a ala militar do Palácio do Planalto foi quem pediu discrição. O Ministério Público Federal (MPF) de Alagoas, em ação coletiva, entrou no caso solicitando que não houvesse celebração. A medida não foi cumprida e o 59° Batalhão de Infantaria Motorizada (59º BIMtz) realizou sua celebração. Ainda assim, a assessoria se comprometeu em responder o MPF. Numa manobra para evitar repercussão, no domingo e segunda-feira, o órgão militar transformou uma solenidade de formatura numa celebração à tomada do poder, com a leitura da Ordem do Dia, que apontou que a ação da época contou com o apoio da sociedade civil. Mas, enquanto a burocracia tratava de mais um recuo, como não poderia deixar de ser, as redes sociais foram o palco de debates, embates e muitas provocações. Defensores e opositores do regime dos militares trocam indiretas por meio de postagens, fotos, poemas, músicas e até ataques pessoais. Os familiares de quem viveu a época também entraram na discussão com a experiência de quem aprendeu a conviver com as perdas e agressões do período. Quando soube da possibilidade de celebração, a jornalista Iara Malta, filha do médico Denisson Menezes, torturado na ditadura, expôs sua opinião contra o governo num texto cheio de sentimento e com a foto do pai: ?Por sua história e de todos os outros presos políticos e assassinados, durante esse regime, repudio qualquer manifestação à favor do Golpe Militar de 64. Repudio apologia à tortura e à violação dos direitos humanos. Não se comemora regime anticonstitucional!?, contou, lembrando ainda que o pai foi preso e torturado, seguido da hashtag #ditaduranuncamais

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