Política
Previdência passa por distribuição de cargos
A tendência de apoio da maioria da bancada federal alagoana à reforma da Previdência pode garantir, de modo mais imediato, a distribuição dos cargos federais do Estado. Como não se deixou influenciar pelas pressões partidárias, antes da posse, agora o governo controla nomeações com base em suas necessidades. Esse modo fechado, sem o escancarado ?toma lá, dá cá?, causou insatisfações na base governista. Acertos no final da semana fizeram o governo acenar com a liberação de nomeações no Diário Oficial da União de segunda-feira. Mas, como forma de ?filtrar? os futuros nomeados, criou uma cláusula de barreira, que é o indicado não estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa. O anúncio veio com o corte de 21 mil cargos comissionados e a definição de regras para quem vai compor o governo. Para o presidente do PSL em Alagoas, Flávio Moreno, a medida atende a uma exigência da sociedade, que baniu a corrupção ao votar no presidente Jair Bolsonaro. ?O critério é contar com pessoas com idoneidade moral e reputação ilibada. Com perfil profissional, acadêmico e formado para o cargo. Experiência anterior e capacitações que tenha feito, especialização, mestrado e doutorado?, destacou Moreno. TEMPO Ele diz que a equipe sabe o tamanho da máquina e que nela ainda há nomeados em cargos comissionados dos governos de Lula e Dilma. ?Se bobear até do governo Fernando Henrique Cardoso. Até junho devem ter sido exonerados?, adiantou Moreno. A busca de um perfil técnico, em sua avaliação, não pode se misturar com a necessidade de composição partidária. ?Teremos pessoas melhor qualificadas?, reafirmou ele, para justificar o apoio do partido em Alagoas. Ainda em tom quase eleitoral, ele garante que a proposta de Bolsonaro é acabar com o que chamou de ?desmantelo dos cargos e dos recursos públicos? para atender a interesses alheios aos serviços necessários à sociedade. Mas, na realidade, o maior desafio vai ser equilibrar discurso e prática. Isto porque a política tem dinâmica própria e se alimenta da fisiologia garantida por presença na estrutura. Ou seja, a presença política e a parceria com a pauta governista é cercada de ?garantias? no terceiro escalão. ESPAÇO As acomodações nos cargos federais serão feitas atendendo aos espaços políticos dos eleitos em cada bancada. Em Alagoas, Marx Beltrão (PSD), que apoiou o presidente Jair Bolsonaro na campanha, além de Arthur Lira (PP) e Isnaldo Bulhões (PMDB), cada um por força e articulação própria. Marx, por coordenar a bancada federal alagoana, é peça importante na conquista de votos para a reforma. Além disso, quando foi ministro do Turismo, articulou-se e atendeu muitos parlamentares e técnicos que hoje integram o governo. Por ter saído do cargo para disputar a reeleição, mas ter deixado a ?porta aberta? na estrutura governamental, continua sendo visto com simpatia para um eventual retorno a pasta. Na gestão de Temer e Dilma, manteve influência em nomeações para a Eletrobras. Já Arthur Lira, juntamente com o pai Benedito de Lira, que não foi reeleito, também transitaram dentro dos governos petistas de Lula, Dilma e Temer. Foi daí que tiveram espaço junto a Ministério das Cidades e, no Estado, dominaram as indicações para a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Nesse período conseguiram implementar o Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT). A área habitacional continua sob a mira dos Lira. Além da visibilidade social dos programas, eles envolvem as prefeituras e a população de baixa renda dessas cidades. O ex-senador Benedito de Lira trouxe várias vezes seus ministros aliados ao Estado e entregou muitas casas. Agora, sem mandato, não pretende se afastar das obras e da base.