loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
domingo, 31/08/2025 | Ano | Nº 6044
Maceió, AL
22° Tempo
Home > Política

Política

ENTREVISTA LAEUZA FARIAS

Ouvir
Compartilhar
Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Whatsapp

A internação compulsória de dependentes químicos é uma agressão, mera pirotecnia para iludir a sociedade de que algo está sendo feito para conter a ?epidemia das drogas?. A avaliação é da presidente do Conselho Regional de Psicologia de Alagoas (CRP-AL), Laeuza Farias, que rechaça o método defendido pelo governo do presidente do Jair Bolsonaro. Nesta entrevista à Gazeta, a psicóloga não esconde a preocupação com o que vem acontecendo com a área de saúde mental no Brasil. ?Entramos em um túnel do tempo onde o pensamento mais tacanho está tendo mais peso do que as descobertas científicas sobre os temas. A própria Fiocruz pesquisa e faz saúde pública há décadas, sendo reconhecida internacionalmente por seu trabalho?, destaca ela, reforçando a constatação de que o discurso fundamentalista do governo não se sustenta em bases científicas. ?Internação compulsória é um erro? Gazeta- Qual a posição do Conselho de Psicologia sobre internação compulsória de dependentes químicos? Até que ponto essa medida, vista como mais drástica pela sociedade, é válida e necessária? Laeuza Farias - Vemos com extrema preocupação pelo fato de como vão ser ordenadas estas internações, e os locais que irão receber estes usuários. O tripé que causou o crescimento das comunidades terapêuticas é formado pelo vácuo de investimento, proselitismo religioso, já que muitas delas incluem a religião em todo o roteiro do tratamento, e força política. A senhora concorda com este cenário? Perfeitamente. A partir do momento em que atores com influência política passaram a circular neste cenário, disseminando discursos de epidemias, por exemplo, fez com que fossem destinados recursos financeiros para tal, assim como a criação de uma rede paralela ao SUS de assistência bancada com recursos públicos. Qual é a situação aqui em Alagoas? O Conselho de Psicologia tem mapeado quantas clínicas operam aqui no Estado? Sabemos da existência de várias dezenas de locais como comunidades acolhedoras, assim como clínicas de internação involuntária. Poucas são aquelas que solicitam, por exemplo, a inscrição de Pessoa Jurídica aqui na Regional. Sabemos destes números através de nossos contatos com a Área Técnica de Saúde Mental do estado. Quais são os tipos de internação vigentes hoje no Brasil e o que diferencia uma da outra? Através da Lei nº 10.216 (Lei Paulo Delgado) foram instituídas três formas de internação: voluntária, involuntária e compulsória. A primeira, por livre vontade do usuário, a segunda por intervenção da família e a terceira por determinação judicial. Quais os efeitos de uma internação compulsória na vida do dependente químico? Essa é uma resposta que, aquele que passou, pode responder. Mas, em linhas gerais, fica a sensação de violência, de ruptura de laços afetivos e do endurecimento deste individuo frente a outras tentativas de tratamento.

Relacionadas