Política
Sem projetos no semiárido, Canal do Sertão se torna elefante branco
A quarta obra mais cara do País em andamento, o Canal do Sertão de Alagoas, já tem mais de 100 quilômetros construídos, consumiu mais de R$ 2,5 bilhões e hoje praticamente não serve a nenhum projeto de desenvolvimento no semiárido. A obra não chegou nem na metade dos 250 quilômetros previstos, não tem data definida para terminar e pode parar em agosto se não houver repasse de R$ 60 milhões cobrados pela construtora Odebrecht, responsável pelo trecho quatro, de 31 quilômetros em andamento. A obra é o símbolo da falta de política estadual na gestão dos recursos hídricos. Mais de mil pedidos de outorgas (permissão) para uso da água do Rio São Francisco que correm pelo Canal teriam sido encaminhados à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Eles não receberam autorização. Como não existe fiscalização efetiva no trecho construído, pipeiros se aproveitam, furtam a água e revendem em comunidades rurais pobres a preços que variam de R$ 100 a R$ 200 a carga com oito mil litros. Para piorar, centenas de pequenos agricultores improvisam projetos de irrigação numa região do semiárido muito sensível, porque no subsolo tem alta concentração de sal. O excesso de água derramada pelas irrigações irregulares pode deixar as terras salinizadas e improdutivas.